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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
...
(1940)
Capim
Governador Valadares
Baguari
...
(1976)
Eng. Luis Ench
Governador Valadares
Baguari
...
(2002)
Pirapama
Governador Valadares
Baguari
...
ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: 1965
...
 
E. F. Vitória a Minas (1910-2013)
GOVERNADOR VALADARES
(antiga FIGUEIRA DO RIO DOCE)
Município de Governador Valadares, MG
EFVM - km 330 (1960)   MG-1689
Altitude: 165 m   Inauguração: 15.08.1910
Uso atual: estação de passageiros   com trilhos
Data de construção do prédio atual: anos 1940?
 
 
HISTORICO DA LINHA: A E. F. Vitoria a Minas foi aberta em 1904 num pequeno trecho a partir do porto de Vitória e tinha como objetivo principal transportar as culturas da região ao longo do Rio Doce, especialmente a produção de café. Com enormes dificuldades ela foi avançando no sentido da cidade mineira de Diamantina; em 1910, empresãrios ingleses a compraram para eletrificá-la e transportar minério da região de Itabira. O seu objetivo pasava a ser agora atingir Itabira e se encontrar com a futura linha da EFCB que partindo de Sabará atingiria São José da Lagoa (Nova Era). Em 1919 o empresário americano Percival Farquhar a comprou e depois de inúmeras reviravoltas políticas, a estrada, afinal nunca eletrificada, foi encampada pela recém-fundada Cia. Vale do Rio Doce (CVRD) em 1942, a qual maneja a ferrovia até hoje. Modernizou-a nos anos 1940, alterando o traçado acidentado na região de Vitória, isto depois de a linha ter finalmente se ligado à EFCB em Nova Era em 1937, Em 2002, o antigo ramal de Nova Era foi totalmente modificado e a EFVM passou a comandar a linha desde Vitória até a região de Belo Horizonte, depois de passar por Itabira, região do minério de ferro. É a ferrovia mais rentável do Brasil e uma das pouquíssimas ferrovias a manter no País até hoje os trens de passageiros.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Governador Valadares foi inaugurada em 1910 com o nome da cidade, Figueira do Rio Doce. O nome foi alterado nos anos 1940 para homenagear o Governador mineiro Benedito Valadares. Nos anos 1930, meu bisavô, Willhelm (Guilherme) Giesbrecht, passou a residir na cidade. Willhelm, depois de trabalhar em diversas ferrovias pelo Brasil inteiro e ter sido uma espécie de co-fundador da cidade de Jaguariúna, em 1894, terminou seus dias em Governador Valadares, onde morreu em 1957. "No dia 15 de agosto de 1910, a máquina de número 1 entrou em Figueira e, com a inauguração da estrada de ferro, a

ACIMA: A estação em 10/7/1948 (Arquivo Publico Mineiro).
cidade do futuro nunca mais parou. A festa foi no Hotel dos Pappi. Quando inauguraram a estrada de ferro, não havia ainda estação. Veio um carro pequeno, o carro do médico. Foi ele que serviu de estação. O carro do Dr. Serafim. Da estação até o Hotel dos Pappi, o chão foi forrado com folhas. Depois, como se não quisessem as folhas, mandaram-nos tirá-las e banharam o chão com cerveja Brahma. Era a estrada de ferro Vitória-Diamantina (OTAVIANO FABRI, citado por SOARES, 1983, p. 30). Em 1910, então, o negócio já era só para a Figueira, porque pra baixo não tinha mais necessidade de fazer transporte de canoas porque a estrada de ferro fazia. Trazia toda a mercadoria e levava também os comboios de mercadorias. Aí já começou, em vez de sair toucinhos salgados de dentro das canoas suscitou a subida nos vagões (EMÍDIO CIPRIANO, comerciante, na ativa, 74 anos).

ACIMA: Mapa da cidade de Governador Valadares (CLIQUE SOBRE A FIGURA PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR) publicado em 1958. Ele mostra a linha atual da EFVM (no alto) e a linha original, hoje já retirada (embaixo) e uma conexão (no centro) entre ambas. Essa ligação da linha antiga com a nova teria sido mantida por algum tempo para acesso ao prédio onde ficava o primitivo depósito de locomotivas a vapor (próximo ao triangulo de reversão), além de dar acesso à antiga indústria açucareira da cidade e à antiga estação ferroviària. onde é hoje a prefeitura da cidade. Notar que há ainda duas estações ferroviárias no desenho, uma em cada linha (ver "E. F."). Até quando terão existido ali a linha velha e a ligação? Hoje nada resta disso (Ney Strauch: Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce, CNG, 1958). ABAIXO: O trem da Vitoria-Minas passa por Governador Valadares (Data desconhecida. Acervo CEDAC/UNIVALE).
Figueira vive os prenúncios de um novo tempo: o tempo moderno, da vitória do mecanismo sobre a natureza. Um tempo e um espaço recriados, num ritmo muito rápido, quando comparado ao das tropas e das canoas. Um novo tempo se instaura em Figueira: o tempo dos relógios, dos horários de embarque e desembarque. Mas Figueira ainda viverá dois tempos: o tempo das tropas que continuam marchando do centro até Figueira e o tempo da máquina que se dirige para o litoral. Havia o suíno. Era um transporte lento, os suínos viajavam da seguinte forma: no 1º dia em média 10 km, iam aumentando aos poucos, chegando até 2 km. Os animais não podiam estar muito gordos, senão dificilmente se locomoviam. Lembro-me de que meu saudoso pai, o Zé Paca, lá
Ney Strauch escreveu em 1958 sobre a cidade: (...) A cidade de Governador Valadares (que) há trinta anos era uma simples estação de estrada de ferro - Figueira do Rio Doce - perdida dentro da mata e refúgio de fugitivos da justiça, é hoje o centro regional da bacia, uma cidade que cresce vertiginosamente em população e em importância econômica". Notar que "trinta anos atrás" seria ao redor de 1925, então.
no Santana do Onça, hoje Coroaci, dedicava-se a criar suínos. Comprava, invernava durante alguns meses e quando atingiam a meio-engorda, tocava-os para Figueira do Rio Doce e embarcava-os pela estrada de ferro Vitória-Itabira para as várias localidades, em direção
ao Espírito Santo. Isso quando não conseguia vendê-los aqui mesmo, na Figueira. Eu mesmo, aos 10 anos, aqui vim ajudando, sendo o meu trabalho de chamar porcos. Esse trabalho consistia em colocar dois bornais de couro no ombro e seguir na frente atirando grãos de milho, pela estrada e ao mesmo tempo cantando: "nego... nego..." Os suínos chegavam até a correr. (HELVÉCIO S. RIBEIRO, citado por SOARES, 1983, p. 45) A população de Figueira cresce, com a inauguração da estação. Além de pessoas vindas do Espírito Santo, do Nordeste e da Bacia do Rio Doce, vieram também estrangeiros, italianos, espanhóis e, posteriormente, sírios e libaneses, que se vão estabelecendo: comércio de gêneros alimentícios, madeiras, construção, fábricas de tijolos e telhas... Com o advento da via férrea, já notamos a presença de muitas famílias, que vieram para ficar e participar de nossa vida comunitária. Também notamos a presença de representantes de outras raças. Era dono da antiga Padaria do Santiago o Sr. Jorge Primo, sendo verdureiro o muito conhecido Salomão, que muitos anos depois regressou à sua terra de origem. João Simão e Dona Germana. Um grupo regular de representantes de sangue italiano. Thomas e Domingos Pappi, madeireiros; Dona Maria Camisassa, nossa costureira; Júlio Deladone, oleiro; João Walfrê, antigo dono do terreno onde hoje estão os bairros Nossa Senhora das Graças e Santa Helena; a família Fabri; Júlio Cipriano,

ACIMA: Mapa dos anos 1950 mostra a linha passando pelo município de Governador Valadares (IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. VII, 1960).
nosso sapateiro. (JOÃO ÂNGELO DE OLIVEIRA, trabalhador do comércio, 1904 a 1988) A DEMARCAÇÃO DO ESPAÇO DE FIGUEIRA DO RIO DOCE Figueira é apenas uma rua - a Rua da Direita, que segue sinuosamente o rio. Nela, uma praça de embarque. Pioneiros e forasteiros - tropeiros, fazendeiros, madeireiros, ferroviários, pedreiros - estão todos na Rua da Direita. No alto, uma igreja, cercada de mata: Quando chegamos aqui, não sabíamos se havia igreja. Mas já havia uma pequenina, lá onde está a catedral. Estava escondida no meio da mata. Fora construída pelos Capuchinhos de passagem por aqui, rumo a Diamantina. Fomos procurá-la. Havia também casa dos padres. O Santo Antônio estava lá. Foi achado no rio, pelo pai de Quintiliano Costa. Ele foi pescar e pescou a imagem. Doou-a para a igreja, que recebeu o nome de Igreja de Santo Antônio. Para chegar lá, tivemos que fazer a estrada. A mesma que continuou até hoje. (OTAVIANO FABRI, citado por SOARES, 1983, p. 31) A mata envolve Figueira. Todos sabem que ela começa no rio e se alonga do porto à igrejinha e desta à estação. Mas ninguém sabe onde termina Figueira do Rio Doce. As terras são devolutas. Fazendeiros, tropeiros vão legitimando as terras ao redor. Acuada, Figueira vai perdendo espaço, a estrada de ferro solicita a Peçanha a demarcação das terras do patrimônio. As terras do patrimônio - 60 alqueires em volta da estação -, um semicírculo interrompido pelo Rio. O Centro de Figueira é deslocado do Porto das Canoas para a estação da estrada de ferro
" (http://www.scielo.br /scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-46982008000100014). A cidade teve duas estações. A primeira parece ter sido desativada em 1948, quando houve uma grande mudança nas linhas da EFVM. A outra é a atual que ainda funciona - nos anos 1940, quando de sua implantação, a ferrovia ainda não passava "por cima" como aparece no mapa, mas em um ramal que foi construído dando acesso provisório a ela - afinal, a cidade ainda hoje tem trens de passageiros, em pleno 2010 no Brasil!!! Nela, ainda funcionando para os trens da CVRD, geralmente há troca da tripulação do trem.
(Fontes: Ralph Giesbrecht; Eduardo Coelho; Nicolas Fagundes Figueiredo; Rodrigo Souza; Acervo CEDAC/UNIVALE; Arquivo Publico Mineiro; museu da EFVM, Vila Velha, ES; Ney Strauch: Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce, CNG, 1958; http://www.scielo.br)
     

A estação de Governador Valadares, sem data. Acervo do museu da EFVM em Pedro Nolasco.

Fachada e entrada da estação, em 2003. Autor desconhecido

Pátio da estação em 2006. Foto Rodrigo Souza
     
     
Atualização: 18.12.2013
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.