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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Sapucaia do Sul
São Leopoldo
Rio dos Sinos
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Mapa das linhas em 1940
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: 1988
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The Porto Alegre and New Hamburg Brazilian Ry. (1874-1905)
Cie. Auxiliaire des Chemins de Fer au Brésil (1905-1920)
V. F. Rio Grande do Sul (1920-1975)
RFFSA (1975-1984)
SÃO LEOPOLDO
Município de São Leopoldo, RS
Linha PA-Uruguaiana (até 1938)
Linha de Caxias - km 33 (1960)
  RS-0033
    Inauguração: 14.04.1874
Uso atual: museu   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1874
 
HISTORICO DA LINHA: A linha Porto Alegre-Caxias foi aberta no trecho entre a Capital e São Leopoldo em 1874, como a primeira ferrovia do Estado. Em 1876 foi prolongada até a estação de Novo Hamburgo. Em 1905, a Cie. Auxiliaire assumiu a linha. Apenas em 1909 a linha teve continuação, partindo de Rio dos Sinos, 7 km antes de Novo Hamburgo e chegando até Carlos Barbosa, e, no ano seguinte, até Caxias (Caxias do Sul). Em 1920 a linha foi assumida pela VFRGS. Foi desativada nos anos 1980; o trecho até São Leopoldo foi retificado e serve hoje ao sistema Trensurb da Grande Porto Alegre (trens metropolitanos); entre Rio dos Sinos e Montenegro, a linha foi erradicada em 1963, substituída por uma variante; para a frente, existem trilhos ainda em alguns pedaços, mas oficialmente a ferrovia a partir de Montenegro foi extinta em 1994 pela RFFSA.
 
A ESTAÇÃO: A estação de São Leopoldo foi inaugurada em 1874 como ponto final da primeira ferrovia do Rio Grande do Sul, a The Porto Alegre and New Hamburg Brazilian Railway. O prédio chegou pré-fabricado da Inglaterra e foi montado no espaço a ele destinado. Em 1876, a linha foi completada, até Novo Hamburgo. No final do século 19, a estação foi aumentada, com a inclusão de mais um corpo que ganhou uma janela da então recem-demolida estação original de Porto Alegre, que era igual. Em 1905 foi assumida pela Cie. Auxiliaire, e, em 1920, pela VFRGS. Em 1907, a descrição de um livro desse ano referia-se a ela como sendo "um edifício de madeira, sobre alicerces de alvenaria, em forma de chalé com a área de 21,70 x 7,10 m, dando frente para o logradouro público, do qual tem acesso por uma porta. Para a plataforma tem 3 portas cobertas por alpendres. Está dividido em vestíbulo, sala para bilheteria, idem para escritório e telégrafo e um buffet". A partir de 1909, a estação serviria às linhas de Caxias e de Porto Alegre-Uruguaiana, até 1937, quando foi aberta a variante ligando Diretor Pestana a Barreto, encurtando em 50 km a

ACIMA: A linha passa por São Leopoldo em 1948. Hoje, o trem metropolitano da Trensurb segue aproximadamente o mesmo leito (Revista Brasileira de Geografia, out-dez 1948).
linha para Uruguaiana e evitando a passagem pela estação, que passou a atender apenas as linhas para Caxias e Canela. Em 1912, um ramal (desvio) de 11 km para a Pedreira São Borja, da empresa João Correa e Filhos entraria em operação, facilitando o envio de pedras para as construções de Porto Alegre. "Foi na estação de São Leopoldo, numa manhã de julho de 1959. Eu estava na estação, lá pelas 7 da manhã. Ouvi o zum-zum: o Padre Cláudio passa hoje por aqui. No desvio estava uma locomotiva 2-8-2, cujo foguista, Ramon, me informou: O Padre Cláudio vai para Maquinista Maura visitar a escola ferroviária de lá. O trem P-8, de Porto Alegre, vai ser desdobrado aqui. A parte que vai para Taquara e Canela, minha locomotiva vai levar até Taquara. Por que você não viaja conosco? (...) Comprei uma passagem para Canela, muito além de Maquinista Maura. Mais alguns minutos e o apito alegre de uma 4-8-2 anunciava a aproximação do P-8. O freio a vácuo estacionou a "Mountain" e seu trem. Ferroviários se apressaram para um carro de primeira. 'É lá', pensei eu, e também fui ver. A familiaridade com que o padre conversava com os funcionários do trem e da estação bastava para confirmar que não se tratava de um padre qualquer. Era saudado com respeito pelos ferroviários, ao que correspondia com sua cortesia, o padre viajante. (...) O trem já havia sido dividido. A 4-8-2 (Mountain) apitou, acelerou e desapareceu. A 2-8-2 de Ramon saiu do desvio, entrou na linha principal, deu marcha-a-ré e engatou no trem. Silvou longamente, duas vezes, para avisar aos funcionários da estação para que deixassem o trem. Um apito curto e fomos nós para Rio dos Sinos, estação a 2 km adiante (...)" (O Padre Ferroviário, Délio Araújo). Os trens de passageiros cessaram as atividades na estação de São Leopoldo em 1982. A estação, de madeira, que abriga um museu ferroviário, esteve ameaçada de ser desapropriada pela Trensurb nos anos 1980, mas foi salva pela comunidade. Foi reconstruída em suas linhas originais, pois estava bastante descaracterizada depois de mais de 100 anos atendendo à ferrovia. Uma nova estação, próxima a esta, foi construída para a nova linha da Trensurb. Ao lado da velha estação, as locomotivas e carros que um dia andaram por ali estão hoje expostas. Não há trilhos; os da Trensurb que vão para a estação atual são elevados naquele trecho.
(Fontes: Noé Gomes; Germano Oscar Moehlecke; Jorge Luiz Stockler Jr; Carlos Latuff; Paulo Szabadi; Revista Ferroviária, 08/2000; J. R. Souza Dias: Caminhos de Ferro do Rio Grande do Sul, 1987; IPHAE: Patrimônio Ferroviário do Rio Grande do Sul, 2002; __: Centro de preservação da história da ferrovia no Rio Grande do Sul, São Leopoldo, RS, sem data; Délio Araújo: O Padre Ferroviário; IBGE: Revista Brasileira de Geografia, 1948; Guias Levi, 1940-81; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação, sem data, ainda em sua forma original. Foto do livro Centro de preservação da história da ferrovia no Rio Grande do Sul,
pág. 28

A estação restaurada, em 2003, lado da plataforma, com os trilhos para o museu ferroviário com as locomotivas expostas. Foto Carlos Latuff

Fachada da estação em 2003. Foto Carlos Latuff

A estação em 2003. Atrás, no alto, a estação da Trensurb. Foto Carlos Latuff

Estação de São Leopoldo da Trensurb, em 2003. Foto Carlos Latuff

A estação em 11/2003. Foto Paulo Szabadi

Estação de São Leopoldo em 2010. Foto Noé Gomes
   
     
Atualização: 25.01.2011
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.