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E. F. Dom Pedro
II (1876-1889)
E. F. Central do Brasil (1889-1975)
RFFSA (1975-1996) |
PALMEIRA
DA SERRA
(antiga PALMEIRAS e JERUABA)
Município de Paulo de Frontin, RJ |
| Linha do Centro - km 82,107 (1937) |
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RJ-1521 |
| Altitude: 326 m |
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Inauguração: 05.06.1876 |
| Uso atual: abandonada (2009) |
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com trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1876 |
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| HISTORICO DA LINHA: Primeira
linha a ser construída pela E. F. Dom Pedro II, que a partir de 1889
passou a se chamar E. F. Central do Brasil, era a espinha dorsal de
todo o seu sistema. O primeiro trecho foi entregue em 1858, da estação
Dom Pedro II até Belém (Japeri) e daí subiu a serra das Araras, alcançando
Barra do Piraí em 1864. Daqui a linha seguiria para Minas Gerais,
atingindo Juiz de Fora em 1875. A intenção era atingir o rio São Francisco
e dali partir para Belém do Pará. Depois de passar a leste da futura
Belo Horizonte, atingindo Pedro Leopoldo em 1895, os trilhos atingiram
Pirapora, às margens do São Francisco, em 1910. A ponte ali constrruída
foi pouco usada: a estação de Independência, aberta em 1922 do outro
lado do rio, foi utilizada por pouco tempo. A própria linha do Centro
acabou mudando de direção: entre 1914 e 1926, da estação de Corinto
foi construído um ramal para Montes Claros que acabou se tornando
o final da linha principal, fazendo com que o antigo trecho final
se tornasse o ramal de Pirapora. Em 1948, a linha foi prolongada até
Monte Azul, final da linha onde havia a ligação com a V. F. Leste
Brasileiro que levava o trem até Salvador. Pela linha do Centro passavam
os trens para São Paulo (até 1998) até Barra do Piraí, e para Belo
Horizonte (até 1980) até Joaquim Murtinho, estações onde tomavam os
respectivos ramais para essas cidades. Antes desta última, porém,
havia mudança de bitola, de 1m60 para métrica, na estação de Conselheiro
Lafayete. Na baixada fluminense andam até hoje os trens de subúrbio.
Entre Japeri e Barra Mansa havia o "Barrinha", até 1996, e finalmente,
entre Montes Claros e Monte Azul esses trens sobreviveram até 1996,
restos do antigo trem que ia para a Bahia. Em resumo, a linha inteira
ainda existe... para trens cargueiros. |
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A ESTAÇÃO: A estação
de Palmeiras foi inaugurada em 1876. As palmeiras imperiais
que ficavam ao seu lado lhe deram o nome.
"As estações da Serra, Palmeiras e Rodeio são muito procuradas
pelo seu excelente clima e são os germens e lindas e pitorescas povoações
para onde afluirá a população da Corte na estação calmosa"
(Cyro Diocleciano Ribeiro Pessoa Jr.: Estudo Descriptivo das Estradas
de Ferro do Brazil, Imprensa Nacional, 1886).
No dia 18 de março de 1929, a queda de uma enorme barreira
acabou por destruir a estação e também a linha
naquele ponto, o que causou a interrupção do tráfego
do Rio de Janeiro com o resto do Brasil. Um filme da época,
ainda mudo, mostra que para se reparar a linha em tempo recorde foi
feito uma linha provisória que passava por dentro do prédio
da estação em ruínas... o prédio era aquele
que se vê na foto de 1928, abaixo.
Nos anos 1940, seu nome foi alterado para Jeruaba, mas
nos anos 1950 passou a se chamar Palmeira da Serra.
Era uma das estações atendidas pelo trem "Barrinha",
que ligou Japeri a Barra do Piraí por muitos
anos, transportando não somente passageiros para estações
de difícil acesso na serra das Araras, como também a
produção agrícola da região. Em 1991,
foi anunciada a sua desativação.
"Em Palmeira da Serra, distante cinco quilômetros de Engenheiro
Paulo de Frontin, 1.500 pessoas dependem apenas do trem para se deslocar.
Joaquim Gonçalves Ferreira, 39 anos, dono do único bar do local, é
um dos mais desolados com a notícia do término do Barrinha. Há dois
meses, ele comprou o bar por Cr$ 500 mil e, desde que os vagões passaram
a rodar em apenas dois horários, está trabalhando ´no vermelho"
("O Dia", 27/11/1991).
O "Barrinha" acabou por retornar pouco tempo
depois, porém, em setembro de 1996, um desastre com muitas
vítimas acabou por eliminar o trem.
"Depois de atravessar um túnel em curva, cheguei até a localidade
de Palmeira da Serra, já em Paulo de Frontin. Tive a sensação de um
explorador perdido na mata sentindo-se salvo por encontrar a civilização.
Quanto exageiro, eu sei. O lugar, que durante o dia
já não é muito movimentado, estava completamente deserto pela madrugada.
Um trem de carga estava estacionado aguardando ordens do CCO para
prosseguir. Tirei uma foto, aproveitando a meia-luz dos postes, sob
o olhar desconfiado de um sujeito que conversava num boteco. Passei
pela estação de Palmeira da Serra. Quanta história tem aquele lugar.
Na década de 30 um desmoronamento destruiu o prédio original e morreu
foi gente. Nos dias atuais, o lugar ainda é vítima de deslizamentos
quando ocorrem chuvas pesadas. Conforme eu caminhava, ia chamando
a atenção da cachorrada, que latia freneticamente. Pessoal alí gosta
de cachorro. Andei mais um tanto, passei por outro túnel e dei outra
parada" (Carlos Latuff, 24/08/2003).

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"Entre as
muitas demonstrações festivas prodigalizadas ao
General Julio Rocca, Presidente da República Argentina,
nesta Capital, proporcionou-lhe também esta Estrada um
passeio até a estação de Palmeiras, onde
foi servido um almoço no hotel da localidade. Por ter
de assistir a outro convite, deixou ele de comparecer, seguindo
o trem especial com o Sr. Ministro da Industria (...)"
(Memória Histórica da EFCB, 1908, p. 488).
Ou seja: Palmeiras ia ter seu momento de festa em 1899, mas
esta lhe escapou à última hora. |
ACIMA:
Em cena retirada do filme-documentário de 1929,
a linha provisória construída por dentro da
estação para reativar o tráfego de trens
entre Rio e Minas e São Paulo, logo depois do desmoronamento
de março de 1929 no pátio da estação
de Palmeiras (Botelho e Neto, 1929).
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TRENS
- Os trens de passageiros pararam nesta estação
de 1876 até 1996. Ao lado, o trem Barrinha, que fazia
o percurso Japeri-Barra do Piraí até 1996. Clique
sobre a foto para ver mais detalhes sobre esses trens. Veja
aqui horários
em 1978. Paravam também trens Rio-SP e Rio-BH. (Guias
Levi). |
(Fontes: Carlos Latuff; José Emilio de
C. Buzelin; __ Zaidan; Jorge A. Ferreira; Cyro Diocleciano Ribeiro
Pessoa Jr.: Estudo Descriptivo das Estradas de Ferro do Brazil, Imprensa
Nacional, 1886; Botelho e Netto: Filme-documentário sobre o
desmoronamento em Palmeiras, 1929; Memória Histórica
da EFCB, 1908; Colecção de 44 vistas photográphicas da Estrada de
Ferro Pedro 2º, 1881; Memória do Trem: MRS Logística
- A Ferrovia de Minas, Rio e São Paulo, 2001; Max Vasconcellos:
Vias Brasileiras de Communicação, 1928; O Dia, 1991;
Mapa - acervo R. M. Giesbrecht) |
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A estação em 1881. Colecção de 44 vistas photográphicas
da Estrada de Ferro Pedro 2º, 1881 |

A estação de Palmeiras em 1914. Foto cedida por
José Emílio Buzelin |

A estação de Palmeiras em 1928, com suas palmeiras
imperiais, e pouco tempo antes do desmoronamento de 1929. Foto
Max Vasconcellos |

No pátio da estação de Palmeira da Serra
em 1994, o trem "Barrinha". Foto José Emilio
de C. Buzelin |

A estação em 1995. Nota-se que não é
o prédio de 1928, destruído no desmoronamento.
Foto José Emilio Buzelin |

Estação de Palmeira da Serra em 2002. Foto Carlos
Latuff |

A estação em 2003. Foto Carlos Latuff |

A estação em 2005. Foto Zaidan |

A estação em 2009. Foto Jorge A. Ferreira |

A estação em 2009. Foto Jorge A. Ferreira |
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| Atualização:
21.07.2017
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