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E. F. Dom Pedro
II (1866-1889)
E. F. Central do Brasil (1889-1975)
RFFSA (1975-1996) |
SEBASTIÃO
DE LACERDA
(antiga COMMERCIO)
Município de Vassouras, RJ |
| Linha do Centro - km 146,816 (1937) |
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RJ-1514 |
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Inauguração: 27.11.1866 |
| Uso atual: fechada |
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com trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: n/d |
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| HISTORICO DA LINHA: Primeira
linha a ser construída pela E. F. Dom Pedro II, que a partir de 1889
passou a se chamar E. F. Central do Brasil, era a espinha dorsal de
todo o seu sistema. O primeiro trecho foi entregue em 1858, da estação
Dom Pedro II até Belém (Japeri) e daí subiu a serra das Araras, alcançando
Barra do Piraí em 1864. Daqui a linha seguiria para Minas Gerais,
atingindo Juiz de Fora em 1875. A intenção era atingir o rio São Francisco
e dali partir para Belém do Pará. Depois de passar a leste da futura
Belo Horizonte, atingindo Pedro Leopoldo em 1895, os trilhos atingiram
Pirapora, às margens do São Francisco, em 1910. A ponte ali constrruída
foi pouco usada: a estação de Independência, aberta em 1922 do outro
lado do rio, foi utilizada por pouco tempo. A própria linha do Centro
acabou mudando de direção: entre 1914 e 1926, da estação de Corinto
foi construído um ramal para Montes Claros que acabou se tornando
o final da linha principal, fazendo com que o antigo trecho final
se tornasse o ramal de Pirapora. Em 1948, a linha foi prolongada até
Monte Azul, final da linha onde havia a ligação com a V. F. Leste
Brasileiro que levava o trem até Salvador. Pela linha do Centro passavam
os trens para São Paulo (até 1998) até Barra do Piraí, e para Belo
Horizonte (até 1980) até Joaquim Murtinho, estações onde tomavam os
respectivos ramais para essas cidades. Antes desta última, porém,
havia mudança de bitola, de 1m60 para métrica, na estação de Conselheiro
Lafayete. Na baixada fluminense andam até hoje os trens de subúrbio.
Entre Japeri e Barra Mansa havia o "Barrinha", até 1996, e finalmente,
entre Montes Claros e Monte Azul esses trens sobreviveram até 1996,
restos do antigo trem que ia para a Bahia. Em resumo, a linha inteira
ainda existe... para trens cargueiros. |
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A ESTAÇÃO: A estação de
Commercio foi inaugurada em 1866. "Sentem-se as mesmas
falhas apontadas na estação de Ubá (ou seja,
a plataforma (da estação de Commercio) não é
coberta, de maneira que os passageiros têm de entrar nos carros
e subir expostos à chuva ou ao sol). Esta estação
(de Vassouras) deve ser assoalhada, pois é apenas ladrilho
de cimento" (Relatório apresentado a S. Ex. o Sr.
Conselheiro Joaquim Antão Fernandes Leão, Ministro e
Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Commercio
e Obras Públicas, pelo Conselheiro Manoel da Cunha Galvão,
em 29/10/1868). O prédio provavelmente não era o
mesmo de hoje, apenas dois anos depois de aberta a estação.
Conservou
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"Commercio, aprasível localidade, a 3 horas
da capital, ponto de parada obrigatório de todos os trens
da linha do centro da Central do Brasil, situada na vertente
septentrional da Serra do Mar, em altitude moderada (360m),
apresenta por sua privilegiada climatologia as mais benéficas
características de estação de villegiatura e de descanço.
Acha-se edificada nas margens pittorescas do Parahíba, que
na região corre entre montes e cômoros, ora em declive, ora
represado em tranquillos remansos, dando as cercanias paisagens
bellas e empolgantes. O clima temperado e ameno, sem os excessos
das máximas e mínimas, a pureza da atmophera, o grande numero
de disposição Orographica que a abriga e defende dos ventos
violentos e das rajadas, conferem-lhe vantagens excepcionaes
à vida e à euphoria. A flora regional, ainda que desfalcada
pelas gerações passadas, está presentemente representada por
verdadeiras florestas de mangueiras, na maioria medrando expontaneamente,
cujos fructos saborosos dão característico ao lugar. Outrora,
centro de grande efervescencia commercial, por ahi transitando
avultada mercadorias que abasteciam innumeras cidades do Estado
do Rio, achava-se ultimamente relegado a quase completo abandono,
quando, graças a acção intelligente de um homem de acção,
ganhou novo e eficaz surto de progresso, constituindo actualmente
razoável núcleo de população. Melhoramentos importantes, taes
como illuminação electrica, pública e particular, abastecimento
d'agua potável puríssima, escoamento, etc., foram emprehendidos
e realisados, bem como a construcção de numerosos prédios
dotados todos, dos mais modestos aos mais confortáveis dos
requisitos da hygiene. O commercio local, satisfazendo plenamente
as necessidades da população, acha-se funccionando em prédios
adrede edificados. Solida ponte mettalica sobre o caudaloso
Parahiba, com piso de concreto armado, põe em communicação
a estação da via férrea com a margem esquerda, onde se acha
grande numero de residências particulares e o modelar HOTEL
DE COMMERCIO. Acha-se concluído o novo prédio onde funcciona
a escola publica. As agencias postal e telegraphica, facilitam
a rápida expedição e entrega de toda a correspondência. Uma
capella, que embora reformada, conserva as linhas architetonicas
e as veneráveis imagens de antanho, abriga e perpetúa o culto
catholico. Pharmacia bem sortida e consultório medico, ao
serviço da população. Excursões e passeios podem ser facilmente
emprehendidos a locaes aprasíveis, fazendas ou cidades visinhas,
como Parahiba do Sul, Vassouras, Valença, etc." (De
folheto de propaganda supostamente dos anos 1910, cedida por
Annibal e Carla, de Rio das Flores, RJ)
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seu nome até os anos
1930. Aí o nome tornou-se Sebastião de Lacerda,
que curiosamente já era o nome de uma estação
a cerca de 40 km mais próxima a Barra do Piraí.
Esse nome, por sua vez, homenageava Sebastião Eurico
Gonçalves de Lacerda, Ministro da Viação
de 1897 a 1898. Em 1928, Max Vasconcellos relatava
que o leito da antiga E. F. Rio das Flores, que funcionara
de 1882 a 1922, ligando essa estação com a vila
de Rio das Flores, ainda estava ali, em excelente estado,
funcionando como estrada de rodagem. Com o fim do trem de
passageiros, no final dos anos 1970, a vila em torno da estação
praticamente morreu. Em 1990, uma reportagem de jornal dizia
que quase toda a atividade agropecuária tinha sido
abandonada e que somente 5% da população ainda
vivia ali. Curiosamente, Max Vasconcellos, em 1928,
afirmava que a estação tinha o seu nome (na
época, ainda Commercio, com dois mm, mesmo)
por causa da intensa atividade comercial que ali existia desde
a sua fundação. Mas em 1990... "Em Sebastião
de Lacerda, um lado da cidade morreu, o outro está
vivo. A cidade é cortada pela linha do trem, mas o
trem não passa mais lá. A estação
é fantasma. O lado esquerdo da cidade, o outro lado
do rio, resiste: é servido por estradas. As pessoas
vão e vêm. O lado direito morreu, a ponte caiu
há cinco anos e não foi reconstruída.
Poucas pessoas ainda moram nas
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casas padronizadas, datadas do início
do século, com suas paredes grossas e altas. Andam horas e
horas para chegar à estrada, ou arriscam-se numa ponte de arame,
cabo de aço e madeira, improvisada. Essas pessoas não
pensam, porém, em arredar pé de lá.
Na porta de umas das casas, uma senhora idosa olha desconfiada os
estranhos que passam à sua frente. Não quer conversar.
Parece ter medo de perder alguma coisa. Depois de algum tempo troca
duas palavras: 'A casa é da senhora?' 'Não, senhor.'
'E quem é o dono?' 'O dono morreu'" (O Estado de
S. Paulo, 03/01/1990). Informações em 2003 dão
conta que a ponte que caiu em 1985 foi reconstruída depois
da narrativa acima. "Em Sebastião de Lacerda, cujas fotos
estão anexas, a ponte sobre o rio Paraíba do Sul já foi reconstruída
e me deu acesso à outra
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TRENS
- Os trens de passageiros pararam nesta estação
de 1866 até 1980. Ao lado, o trem Rio-Belo Horizonte,
que fazia esse percurso. Clique sobre a foto para ver mais detalhes
sobre esses trens. Veja aqui horários
em 1968 (Guias Levi). |
margem do rio, onde está a linha. Entretanto, a situação de abandono
é total, as casas enfileiradas parecem não ter vida. Estive lá uns
20 minutos, só me apareceu um nativo, assim mesmo sem nenhuma curiosidade.
Até aqueles moleques que sempre aparecem, fazendo mil perguntas, não
estavam lá. A MRS circula uma média de 3 trens/hora. São trens de
retorno, vagões de minério, em sua maioria. Embora ainda estejam de
pé tanto a estação quanto a edificação em frente a ela estão abandonadas
e inabitadas. Não sei quanto tempo ainda suportarão a ação da chuva
e do sol, sem ruirem. Curiosamente todas as janelas e portas estão
em seus lugares, não houve a rapina que estamos acostumados a ver"
(Gutierrez L. Coelho, 01/2007). |
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A estação de Commercio, em 1908. Foto cedida por
Marco Giffoni |

A estação nos anos 1920. Cessão Annibal
e Carla, de Rio das Flores, RJ |

Plataforma da estação nos anos 1920. Cessão
Annibal e Carla, de Rio das Flores, RJ |

A estação de Sebastião de Lacerda, em 1996.
Foto Marco Antonio Silvestre, cedida por Christoffer R. |
A estação em 04/2003. Foto Jorge A. Ferreira |

A estação em 04/2003. Foto Jorge A. Ferreira |

A estação em 26/12/2006. Foto Gutierrez L. Coelho |

A estação em 26/12/2006. Compare com a foto acima,
dos anos 1920. Foto Gutierrez L. Coelho |
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| Atualização:
14.11.2010
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