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VXY Mogiana em MG
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Miranda Azevedo
Lobo
Macedonia
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Tronco EFS - 1935

IGGSP-1944
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2011
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E. F. Sorocabana (1896-1953)
LOBO (antiga ITATINGA)
Município de Itatinga, SP (veja o bairro)
Linha-tronco original - km 345,788 (1924); km 333,698 (1931) (*)   SP-1551
Altitude: 761 m   Inauguração: 06.04.1896
Uso atual: demolida c.2007   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1896
(*) As quilometragens foram alteradas em 1928, devido às retificações feitas entre São Paulo e Iperó neste ano
 
 
HISTORICO DA LINHA: A E. F. Sorocabana foi fundada em 1872, e o primeiro trecho da linha foi aberto em 1875, até Sorocaba. A linha-tronco se expandiu até 1922, quando atingiu Presidente Epitácio, nas margens do rio Paraná. Antes, porém, a EFS construiu vários ramais, e passou por trocas de donos e fusões: em 1892, foi fundida pelo Governo com a Ytuana, na época à beira da falência. Em 1903, o Governo Federal assumiu a ferrovia, vendida para o Governo paulista em 1905. Este a arrendou em 1907 para o grupo de Percival Farquhar, desaparecendo a Ytuana de vez, com suas linhas incorporadas pela EFS. Em 1919, o Governo paulista voltou a ser o dono, por causa da situação precária do grupo detentor. Assim foi até 1971, quando a EFS foi uma das ferrovias que formaram a estatal FEPASA. O seu trecho inicial, primeiro até Mairinque, depois somente até Amador Bueno, desde os anos 20 passaram a atender principalmente os trens de subúrbio. Com o surgimento da CPTM, em 1994, esse trecho passou a ser administrado por ela. Trens de passageiros de longo percurso trafegaram pela linha-tronco até 16/1/1999, quando foram suprimidos pela concessionária Ferroban, sucessora da Fepasa. A linha está ativa até hoje, para trens de carga.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Itatinga foi aberta em 1896. Por estar a cerca de 12 quilômetros da sede do município do mesmo nome, o local sem nome à volta do pátio ferroviário - que já existia como um pequeníssimo povoado, mas que se desenvolveu rapidamente a partir da abertura da estação - era chamado de Estação de Itatinga.

Logo após essa inauguração, a população da sede já começou a pedir uma estação local, que somente anos mais tarde seria alcançada por um ramal. Na época, esses ramais pequenos poderiam ser economicamente justificáveis.

A pressão cresceu após a construção e entrega de dois ramais relativamente próximos para cidades como Piraju e Santa Cruz do Rio Pardo (ambos em 1906), cidades que também ficaram fora da linha principal da Sorocabana.

Depois de diversas tratativas, o ramal foi construído - em 1913 já estava em obras, e em 20/2/1914 correu o "primeiro trem no ramal". Foe finalmente entregue em 1/8/1914, com a saída da linha-tronco sendo a cerca de dois quilômetros da estação original de Itatinga, num posto telegráfico chamado inicialmente de "Posto do quilômetro 345", que em em outubro de 1920 foi renomeado como estação de Miranda Azevedo.

Em 1920, segundo nota publicada mais abaixo, o posto do km 345 passou a receber o trem do ramal de Itatinga, que vinha da cidade, parava ali e voltava. A população de Lobo revoltou-se, como publicado, já que o bairro estava a cerca de 2 quilômetros do posto. Porém, esta situação parece ter durado até o final do ramal (1953), de acordo com diversos horários consultados durante os 33 anos de existência da linha.

No mesmo dia da abertura do ramal, a Estação de Itatinga foi renomeada como Lobo - em virtude de ali se localizar um pequeno remanso chamado de "Água do Lobo", local onde estes animais saciavam a sede - e o nome da cidade passou a nomear a estação construída na sede. Lobos, aliás, continuam a existir no local até hoje, embora em muito menor número.

Em 1933, já um lugar que rivalizava com a própria sede do município, Lobo passou a ser um distrito do município de Itatinga.

Vinte anos depois (1953), a estação foi desativada, quando da entrada em operação da variante Rubião Junior-Juca Novais.

O prédio ali ficou. Eu visitei o local pela primeira vez em 1999. O local já não era nem uma sombre do que foi enquanto ainda possuía a linha do trem. A decadência era notória. O prédio da estação ainda existia ainda em 2004, já descaracterizado e transformado em escola do bairro já pobre e com poucas casas de alvenaria e de madeira, a cerca de 2 km ao norte, por terra, da rodovia Castelo Branco, no km 225.

Lobo
segue sendo um distrito de Itatinga, embora com pouquíssimas casas e moradores. "Meus avós moraram em Lobo. Meu pai conta que minha avó após ter se casado na cerimônia civil no Lobo, ela, de vestido de noiva, pegou o trem com meu avô sentido Avaré..." (Adriano Martins, 08/2004).

A estaçãozinha foi demolida entre 2004, e outubro de 2009: não sobrou nem a plataforma em um terreno vazio. Em 2011 estive ali e comprovei a demolição. A escola havia se mudado para um prédio maior construído para tal a cerca de 30 m da velha estação. Que enorme insensibilidade de quem tinha a propriedade (era a Prefeitura) de um prédio mais que centenário no típico estilo Sorocabana dos anos 1890.

(Veja também o distrito de Lobo)
ACIMA: A mudança do nome para Lobo no jornal (O Estado de S. Paulo, 30/7/1914).






AO LADO: A vida na estação do Lobo nos anos 1910: A inauguração do ramal que a unia à sede do município, Itatinga, em 4 de agosto de 1914 (O Estado de S. Paulo, 4/8/1914); 5 dias depois, o local afastado e perdido no ainda quase-virgem oeste do estado de São Paulo também via os efeitos da guerra que completava dez dias (O Estado de S. Paulo, 9/8/1914); No ano seguinte, italianos imigrantes embarcavam para a Itália para lutar na guerra contra a Austria, declarada pouco antes (O Estado de S. Paulo, 21/8/1915); Em 1916, festa pela inauguração da igreja do lugarejo de Lobo (O Estado de S. Paulo, 4/12/ 1916; Em 1918, duas reportagens mostravam os problemas na estação e no bairro, causados pela Sorocabana: as encomendas sofrem na estocagem no prédio da estação, antes de seguir para o destino e oa lavradores reclamam da falta de vagões que faz estragar-se as mercadorias na mesma estação (O Estado de S. Paulo, 29/6 e 14/9/1918).

AO LADO: Em 1920, foi estabelecida a parada do trem na estação de Miranda Azevedo (o nome não é citado na reportagem), o que revoltou a população do bairro de Lobo (O Estado de S. Paulo, 13/2/1920)..


ACIMA: Mapa mostrando a linha nova e a velha da Sorocabana na região de Botucatu e de Avaré. Por ele dá para se ter uma idéia de como Lobo e outras saíram da linha e ficaram isoladas. A linha nova (estilizada, pois não mostra todas suas curvas) é a que está com barras (Acervo Ralph M. Giesbrecht). ABAIXO: A estação de Lobo, no extremo norte do mapa, em 1945. Vê-se também o ramal de Itatinga, ligando Miranda Azevedo à cidade (Mapa do IGGESP, Acervo Ralph Mennucci Giesbrecht).


ACIMA: O distrito de Lobo, em 1950, pouco tempo antes de arrancarem a linha (CLIQUE SOBRE A FIGURA PARA VER EM TAMANHO MAIOR) (IGC-SP).

(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Adriano Martins; Daniel Gentili; IGC-SP; E. F. Sorocabana: relatórios anuais, 1875-1960; O Estado de S. Paulo, 1896 a 1918; IGGESP, 1945; Mapas - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A velha estação, em 20/05/1999. Em primeiro plano, o leito por onde um dia passaram os trilhos. Foto Ralph M. Giesbrecht

A velha estação, em 20/05/1999. Em primeiro plano, o leito por onde um dia passaram os trilhos. Foto Ralph M. Giesbrecht

A estação, vista por trás, aí não tão descaracterizada, em 02/11/2001. Foto Ralph M. Giesbrecht
     
     
Atualização: 06.03.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.