A B C D E
F G H I JK
L M N O P
Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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Parada Marmeleiro
Mairinque
Pantojo
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Saída para o ramal de Campinas (1897-1986): Moreiras
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Saída para a Mairinque-Santos (1931-1985): Guaianã
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Tronco EFS-1935

IBGE-1960
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2008
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Cia. União Sorocabana e Ytuana (1897-1907)
Sorocabana Railway (1907-1919)
E. F. Sorocabana (1919-1971)
FEPASA (1971-1998)
MAIRINQUE
Município de Mairinque, SP
Linha-tronco - km 69,130 (1934)   SP-0703
Altitude: 832,400 m   Inauguração: 04.07.1897
Uso atual: centro de memória (2013)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1906
 
 
HISTORICO DA LINHA: A E. F. Sorocabana foi fundada em 1872, e o primeiro trecho da linha foi aberto em 1875, até Sorocaba. A linha-tronco se expandiu até 1922, quando atingiu Presidente Epitácio, nas margens do rio Paraná. Antes, porém, a EFS construiu vários ramais, e passou por trocas de donos e fusões: em 1892, foi fundida pelo Governo com a Ytuana, na época à beira da falência. Em 1903, o Governo Federal assumiu a ferrovia, vendida para o Governo paulista em 1905. Este a arrendou em 1907 para o grupo de Percival Farquhar, desaparecendo a Ytuana de vez, com suas linhas incorporadas pela EFS. Em 1919, o Governo paulista voltou a ser o dono, por causa da situação precária do grupo detentor. Assim foi até 1971, quando a EFS foi uma das ferrovias que formaram a estatal FEPASA. O seu trecho inicial, primeiro até Mairinque, depois somente até Amador Bueno, desde os anos 1920 passaram a atender principalmente os trens de subúrbio. Com o surgimento da CPTM, em 1994, esse trecho passou a ser administrado por ela. Trens de passageiros de longo percurso trafegaram pela linha-tronco até 16/1/1999, quando foram suprimidos pela concessionária Ferroban, sucessora da Fepasa. A linha está ativa até hoje, para trens de carga.
 
A ESTAÇÃO: Nos primeiros estudos para a sua construção, em 1892, o local hoje ocupado pela estação de Mairinque era denominado Entroncamento, devido ao fato de, dali, se projetar o entroncamento da linha que viria de Itu e também da que seguiria para Santos. A região onde hoje está a cidade e a estação era conhecida como Canguera, nome de uma grande fazenda do local. A estação, pronta em 1897, juntamente com a inauguração da linha para Itu, mas não a de Santos (que somente sairia dali muitos anos depois), já havia recebido o nome de Mairink, em homenagem ao sr. Francisco de Paula Mayrink, presidente da Sorocabana a partir de 1882. A importância da estação foi crescendo rapidamente, tanto que em 1902, as oficinas da linha, que estavam em Sorocaba, foram todas transferidas para Mairinque. Mas o mais importante de tudo foi o surgimento de uma nova cidade, com o nome da estação, pela Sorocabana. Conforme o relatório da época, lê-se que: "Serviços Feitos na Estação Mairink, Entroncamento da Linha Ituana e da Nova Linha para Santos, na linha S. Paulo ao Tibagy e Itararé. - Projectando a Companhia vender os terrenos, que possue nas immediações desta estação para formar ahi uma
povoação, foi levantado o terreno n'uma área de 125 hectares ou cerca de 52 alqueires paulistas, dos quaes ficam destinados 72 hectares approximadamente para as futuras officinas centraes da Companhia, para as moradias do pessoal das mesmas e para mais necessidades futuras, sendo os restantes destinados para a futura povoação. A planta elaborada previne por ora 355 lotes, com uma área média de 800 metros quadrados (20 m de frente por 40 m de fundo), variando as áreas entre 460 m. q. e 1.400 m. q. e mais duas chacaras, com uma área total de 331.464 metros quadrados. Os 6 largos projectados, as avenidas e ruas representam uma área de 199.109 m. quadrados ou cerca de 38% da área total da povoação. O projecto teve assim em vista
garantir boas condições hygienicas para a futura povoação que pela sua posição no cruzamento de linhas importantes e altitude de 870 metros sobre o mar, pelo seu clima sadio e pela faculdade de obter-se agua das cabeceiras proximas do Rio Piragibú, além da facilidade de prevenir-se exgotos em tres direcções, poderá tornar-se no futuro um ponto importante". Foi também adquirida perto da estação uma área que se tornou um dos hortos da Sorocabana. O prédio atual da estação, construído pelo arquiteto Dubugras, é famoso pelo seu estilo, tendo sido o primeiro a ser feito em concreto armado no País, inaugurado em 1906, depois de dois anos de construção. Momentos de festa ocorreram em 7 de julho de 1922, quando da passagem da comitiva que transportava o aviador Gago Coutinho e o então dono da Votorantim, Antonio Pereira Ignácio: "na estação de Mayrink, á chegada do comboio, uma grande manifestação por parte dos operários das officinas da EFS, e onde os excursionistas foram recebidos ao som do Hymno Portuguez (...). (Revista Portugal-Brasil, A Hora Gloriosa da Raça, ed. Monteiro Lobato e Cia, 1922). Na estação existiu um bar (ver abaixo). Até os anos 1980, ainda seguiam para a estação os trens elétricos Toshiba, que desde Itapevi eram a linha de subúrbios da Fepasa. Quanto aos trens de passageiros da linha São Paulo-Presidente Epitácio, estes deixaram de circular em 16 de janeiro de 1999. A estação esteve fechada por anos, mas seus desvios nunca deixaram de abrigar um movimento muito grande de trens. Finalmente, foi adquirida pela prefeitura municipal, que a reformou e transformou no Centro de Memória Ferroviária de Mairinque, inaugurado em 29/05/2004. O prédio da estação, mesmo com a reforma, permanece em mau estado em 2015.

OBRAS OCORRIDAS NA ESTAÇÃO E SEU PÁTIO DE ACORDO COM RELATÓRIOS DA EFS: 1934 - Adaptação de deposito de Sorocaba neste pátio; melhoramentos de desvios para a linha 1; construção de casas para a Tração; construção de casa para bombeiro; Construção de um desvio de lenha; construção de 20 casas para empregados; pintura das casas da vila; instalação de água na casa de turma


AO LADO: Francisco de Paula Mayrink

AO LADO: Relação das estações das velhas linhas da Ytuana que, a partir da abertura da continuação da linha Jundiaí-Ytu, passariam a fazer os despachos para a linha-tronco da Sorocabana, sem passar por Jundiaí, onde tinham que baldear para a SPR. Isto não durou muito, pois prejudicava os clientes e houve excesso de reclamações (O Estado de S. Paulo, 4/7/1897).



















ABAIXO: Horario de trens a partir de julho de 1897, quando foi aberta a estação de Mairinque e, com ela, o ramal de Itu-Mairinque, chamado de "ramal da Ytuana", pois era continuação da velha linha Jundiaí-Ytu (O Estado de S. Paulo, 4/7/1897).




ACIMA: A estação de Mairinque em 1909 (Studio Geografico, 1909). ABAIXO: Trem da FEPASA na estação de Mairinque em 1975. Este trem era o LR 1 que saia de Julio Prestes às 12h20 com destino a Ourinhos. Chegava em Mayrink às 13h40 com partida às 13h42. Normalmente conduzia 7 carros na sequência: 1 bagageiro, 3 de segunda, 1 restaurante e 2 de primeira. Os dois últimos carros são de primeira e na ocasião ainda tinham os vidros lacrados devido ao ar condicionado. O restaurante também era assim (Foto Renato Cesar Favero).

ACIMA: Anúncio do bar da estação de Mairinque. Esse bar, que provavelmente era o mesmo da foto ao pé da página, tomada em 1910, ainda existia em 1971, de acordo com relato de Antonio Gorni (Guia Oficial da E. F. Sorocabana, 2o semestre 1953). ABAIXO: Saída da Alça de Pantojo nos anos 1980. A linha-tronco da Sorocabana aparece em segundo plano. Em primeiro plano, a alça (ligação do tronco com a variante Boa Vista-Guaianã) (Autor desconhecido).


ACIMA: Estação de Mairinque em 2015 (Foto Nathan Kiss/Facebook).

(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Lucas Rio Branco; Renato Cesar Favero; Antonio Gorni; Antonio Cardodo; Carlos R. Almeida; Stenio Gimenez; Museu de Mairinque; Thomas Correa; Antonio Soukhef; Nick Lawford; Kenzo Sasaoka; Ricardo Koracsony; O Estado de S. Paulo, 1998; E. F. Sorocabana: Relatórios anuais, 1875-69; E. F. Sorocabana: Guia Oficial, 2o semestre 1953; Portugal-Brasil, A Hora Gloriosa da Raça, 1922; IBGE, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     


A estação de Mairinque nos bons tempos, e sem data. Foto do acervo do museu de Mairinque

Antigo bar na estação, anos 1910. Foto cedida por Antonio Cardoso

A estação de Mairinque em 1938. Foto da Revista Nossa Estrada. Acervo Thomas Correa

A estação já no abandono, em 1998. Foto de O Estado de S. Paulo, 05/02/1998

Trem de passageiros em Mairinque, sem data. Foto Nick Lawford

Pátio com a estação ao fundo, à esquerda, e com muito movimento de cargueiros. Foto Kenzo Sasaoka, 09/2001

Pátio com a estação ao fundo, à esquerda, e com muito movimento de cargueiros. Foto Kenzo Sasaoka, 09/2001

O absurdo de uma estação ter de ser cercada, por exigência da concessionária, em 09/2002. Foto Ricardo Koracsony

A estação, em 09/2002. Foto Ricardo Koracsony

A estação em 2002. Foto Julio Cesar de Paiva

O letreiro da estação em 06/2006. Foto Ricardo Koracsony

A estação em 06/2006. Foto Ricardo Koracsony

A estação de Mairinque em setembro de 2015. Foto Lucas Rio Branco
   
     
Atualização: 23.02.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.