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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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Engenheiro Röhe
Villa Costina
Paula Lima
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Saída da E. F. Vila Costina: Fazenda
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ramal de Mococa-1935

IBGE-1960
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 1999
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Cia. Ramal Férreo do Rio Pardo (1887-1888)
Cia. Mogiana de Estradas de Ferro (1888-1971)
FEPASA (1971-1992)
VILLA COSTINA
Município de São José do Rio Pardo, SP
Ramal de Mococa - km 21,640 (1938)   SP-2977
Altitude: 736 m   Inauguração: 1887
Uso atual: moradia (1999)   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: c.1914
 
 
HISTORICO DA LINHA: O ramal teve origem na Cia. Ramal Férreo do Rio Pardo, empresa particular aberta em 1884 entre Casa Branca e São José do Rio Pardo, e adquirida em junho de 1888 pela Cia. Mogiana, que a transformou no ramal de Mococa, prolongando os seus trilhos em 1890 para atingir Canoas, estação 11 km à frente de Mococa e terminal do ramal. A partir de 1903, da estação de Ribeiro do Vale passou a sair o ramal de Guaxupé, que seguia até essa cidade. Em 1961, o trecho final do ramal entre Mococa e Canoas foi extinto, e em 7/11/1966, o trecho entre Ribeiro do Vale e Mococa também o foi. O que sobrou do ramal, de Casa Branca até Ribeiro do Vale, passou a fazer parte do ramal de Guaxupé e operou até 1977, quando a queda de uma ponte entre S. J. Rio Pardo e Ribeiro do Valle interditaram definitivamente a linha. Em 1986 o trecho entre Casa Branca e S. J. Rio Pardo foi reativado por um curtíssimo espaço de tempo. Por volta de 1992 os trilhos foram retirados.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Villa Costina, nome da fazenda em cujas terras se encontrava, foi, realmente, construída pela Mogiana em 1889, em substituição a uma estação que existia muito próxima, com o mesmo nome, mas que era do ramal original, particular (Cia. Ramal Férreo do Rio Pardo), aberto em 1887 e que nem edifício para abrigar a estação tinha.

"O estado da linha era péssimo; sem bitola uniforme nas curvas, com grande quantidade de dormentes podres, sem casas para estações (...) (foi) resolvido que se construísse uma única estação intermediária no quilômetro 19, foi esta aberta ao tráfego no dia 1o de janeiro do corrente ano (1889), suprimindo-se nesse dia as outras duas, dos quilômetros 14 e 21. A existente conserva o nome de uma das suprimidas, 'Vila Costina" (Relatório da Mogiana para 1888, de 07/04/1889) (Ver caixa abaixo de 1889, cem referência à quilometragem desta última, que, de acordo com dados da própria Mogiana, em 1988 mantinha o quilômetro 21). Terá a estação mudado mesmo de local? (Veja caixas abaixo, de 1888).

"Até há pouco tempo, ainda era visível na estaçãozinha de Vila Costina o local em que os vagões de bitola estreitíssima (sessenta centímetros) despejavam nos da Mogiana (bitola métrica) a produção de café em coco da região. Era o último sinal que testemunhava arrojada iniciativa empresarial: José da Costa Machado, que já fora presidente da província de Minas Gerais, quando a capital ainda era Ouro Preto (1867-68), instalando-se por estas bandas, por volta de 1870, abriu a fazenda Vila Costina e construiu por conta própria uma pequena ferrovia que ia de Vila Costina até São Sebastião da Grama" (Márcio José Lauria).

Algumas considerações do autor deste site: a data de 1895, constante como a de inauguração na lista oficial de estações de 1938 da Mogiana, provavelmente marca a construção do terceiro prédio da estação; está provado que a estação foi aberta sete anos antes, em 1887, pela Cia. do Ramal Férreo do Rio Pardo, sem prédio, como também consta no relatório para 1888. Além do mais, é possível que a estação de 1895 tenha sido construída num terceiro local, diferente da primeira e da segunda, devido ao fato de a quilometragem de 1938 ser 21 e não 19, como na de 1889; porém, isto é uma suposição, posto que quilometragens variavam constantemente com retificações de linhas e pontos de referência. Finalmente, foi construído um quarto prédio (se o terceiro realmente saiu em 1895 (ver abaixo dois artigos publicados em 1/4/1894 e 29/12/1894, ambos abrindo como link), em 1913, como consequência de diversas modificações efetuadas na linha do ramal de Mococa nessa época (relatório da Mogiana, 1913), sendo possível que outra vez em local diferente justamente por causa da mudança dos trilhos nesse trecho.

Da estação de Vila Costina saiu, por algum tempo, supostamente entre os anos 1910 e os anos 1920, uma estrada de ferro, a E. F. de Vila Costina, de bitola de 60 cm e que ligava a estação à cidade de São Sebastião da Grama, em terras do sr. José da Costa Machado, mineiro e ex-Governador da Província de Minas Gerais. Supõe-se que esta ferrovia ainda não existia na época da compra do ramal pela Mogiana, pois não é citada em ponto algum. Mas deixa claro que o nome "Vila Costina" vem da fazenda desse senhor, e esse nome deriva do seu nome (Costa), que foi quem abriu a fazenda, nos anos 1870.

Há uma vaga menção de que essa misteriosa ferrovia teria sido suprimida pouco antes de 1929. Sud Mennucci, em anotação a lápis em seu próprio livro publicado em agosto de 1929, O Vertiginoso Crescimento de São Paulo, cita que a ferrovia já havia sido fechada antes da edição do livro. Ela ainda funcionava em 1917, inclusive com seus horários estampados no famoso Guia Levi.

A estação de Vila Costina foi fechada e transformada em parada em 15/1/69 (*RM-1969). Os trens de passageiros deixaram de passar em janeiro de 1977 pela linha.

Depois de anos no abandono, o ramal foi reativado, nesse trecho, em 1986, fato que não mudou o abandono da estação, que estava, já nessa época, alugada a terceiros; com pouco movimento, a linha voltou a ser fechada pouco tempo depois, e finalmente teve os trilhos retirados no início dos anos 1990.

A vila, em 1999, era pequena e tinha várias casas antigas abandonadas e depredadas. A estação, em mau estado, ainda servia como moradia.


ACIMA: Já se discutia em 1888 a posição para a estação de Vila Costina (A Provincia de S. Paulo, 12/8/1888).

1888
À ESQUERDA:
Uma semana depois, ontinua a discussão sobre mudança de posição da estação a estação para o quilômetro 19 do ramal (na época). O fato é que a estação nova continuou com o km 21... terá havido algum engano na notificação? (A Provincia de S. Paulo, 18/8/1888).
1889
À ESQUERDA: A Mogiana muda a estação para o quilômetro 19 do ramal (na época). O fato é que a estação nova continuou com o km 21... terá havido algum engano na notificação? (A Provincia de S. Paulo, 3/1/1889).
1891
À ESQUERDA: Choque de loco com trolei em Villa Costina (A Provincia de S. Paulo, 30/5/1891).
1891
À ESQUERDA: Duas semanas mais tarde, outro desastre em Villa Costina (O Estado de S. Paulo, 10/6/1891).

1893
À ESQUERDA: O chefe da estação de Tambaú foi para a de Vila Costina (O Estado de S. Paulo, 21/6/1893).
1893
Choque de locomotivas em Villa Costina - CLIQUE SOBRE O TEXTO PARA LE-LO INTEIRO (O Estado de S. Paulo, 10/12/1893).
1894
A influencia do Sr. Costa Machado em Villa Costina - CLIQUE SOBRE O TEXTO PARA LE-LO INTEIRO (O Estado de S. Paulo, 11/4/1894).
1894
Anuncio de nova estação para a Vila Costina. Qual teria sido Agua Fria? Engenheiro Röhe? (O Estado de S. Paulo, 1/5/1894).
1894
Nova estação para a Villa Costina (O Estado de S. Paulo, 29/12/1894).

1898
AO LADO:
Acidente próximo a Vila Costina (O Estado de S. Paulo, 23/3/1898).

1902
Avarias na máquina em Villa Costina e em Engenheiro Gomide (O Estado de S. Paulo, 18/3/1902).
1903
Imprudência do guarda-trem próximo da Vila Costina (O Estado de S. Paulo, 15/10/1903).

1914
AO LADO:
Outras famílias também moravam em Vila Costina, como a dos Ribeiro da Silva (A Cigarra, 29 de outubro de 1914, acervo Paulo Castagnet).

A fazenda Vila Costina, de propriedade do Dr. José da Costa Machado de Sousa, foi uma das melhores do estado de São Paulo em produção cafeeira. Seu cafezal, em 1901, de 300 alqueires era a maior área de café plantada em São José; ela tornou-se um povoado, com muitas moradias, duas escolas, uma capela, uma ferrovia particular ligada a fazenda à estação Vila Costina da Mogiana, e até dinheiro próprio. A epidemia de febre amarela, que chegou a São José em 1902 e atingiu inúmeras famílias na cidade, levou os moradores a se refugiarem nas fazendas. A vida municipal ficou paralisada, enquanto que a Câmara Municipal se reunia em casa dos vereadores Tarqüínio Cobra Olyntho e Urias Carneiro, no bairro do Bonsucesso. O Fórum, por decreto do Governo do Estado, transferiu, em fevereiro de 1903, seus trabalhos para a fazenda Vila Costina, instalando-se na sala da "Società Di Mutuo Soccorso 20 Settembre". Assim, esta sociedade, por breve espaço de tempo, foi sede do Judiciário. A capela da fazenda Vila Costina, por sua invocação a Nossa Senhora da Saúde, teria sido construída durante essa epidemia de febre amarela para receber os moradores impedidos de freqüentar a Igreja Matriz de São José. Nesse sentido, o Dr. Costa Machado requereu ao Bispo de São Paulo, uma provisão qüinqüenal em favor da capela a qual lhe foi concedida em 4 de novembro de 1904. A capela de Nossa Senhora da Saúde da fazenda Vila Costina é "um exemplo de harmoniosa unidade de um conjunto arquitetônico rural, que infelizmente, já se perdeu em parte" .



















2009

AO LADO: Dados extraídos do livro de Amélia Franzolin Trevisan: A Capela de Nossa Senhora da Saúde, site www.casaeuclidiana.org.br, entrada em 21/3/2009)
 

TRENS - Os trens de passageiros pararam nesta estação de 1887 a 1977. Na foto à esquerda, o trem do ramal está chegando em Itobi em 1972. Clique sobre a foto para ver mais detalhes sobre esses trens. Veja aqui horários em 1948 e em 1968 (Guias Levi).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Márcio José Lauria; Paulo Castagnet; Wanderley Duck; Adriano Martins; Cia. Mogiana: Relatórios anuais, 1875-1969; Cia. Mogiana: Listagem oficial de estações, 1937; Sud Mennucci: O Vertiginoso Crescimento de São Paulo, 1929; IBGE, 1960; Amélia Franzolin Trevisan: A Capela de Nossa Senhora da Saúde, site www.casaeuclidiana.org.br; Guia Levi, 1917; Mapas - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação vista de longe, em 30/12/1999. Foto Ralph M. Giesbrecht

Estação de Vila Costina em 30/12/1999. Foto Ralph M. Giesbrecht
 
     
Atualização: 28.02.2021
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.