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E. F. Dom Pedro
II (1887-1889)
E. F. Central do Brasil (1889-1975)
RFFSA (1975-1996) |
MIGUEL BURNIER
(antiga SÃO JULIÃO)
Município de Ouro Preto, MG |
| Linha do Centro - km 498,264 (1928) |
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MG-0377 |
| Altitude: 1.126,143 m |
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Inauguração: 16.07.1887 |
| Uso atual: espaço cultural (2012) |
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com trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: n/d |
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| HISTORICO DA LINHA: Primeira
linha a ser construída pela E. F. Dom Pedro II, que a partir de 1889
passou a se chamar E. F. Central do Brasil, era a espinha dorsal de
todo o seu sistema. O primeiro trecho foi entregue em 1858, da estação
Dom Pedro II até Belém (Japeri) e daí subiu a serra das Araras, alcançando
Barra do Piraí em 1864. Daqui a linha seguiria para Minas Gerais,
atingindo Juiz de Fora em 1875. A intenção era atingir o rio São Francisco
e dali partir para Belém do Pará. Depois de passar a leste da futura
Belo Horizonte, atingindo Pedro Leopoldo em 1895, os trilhos atingiram
Pirapora, às margens do São Francisco, em 1910. A ponte ali construída
foi pouco usada: a estação de Independência, aberta em 1922 do outro
lado do rio, foi utilizada por pouco tempo. A própria linha do Centro
acabou mudando de direção: entre 1914 e 1926, da estação de Corinto
foi construído um ramal para Montes Claros que acabou se tornando
o final da linha principal, fazendo com que o antigo trecho final
se tornasse o ramal de Pirapora. Em 1948, a linha foi prolongada até
Monte Azul, final da linha onde havia a ligação com a V. F. Leste
Brasileiro que levava o trem até Salvador. Pela linha do Centro passavam
os trens para São Paulo (até 1998) até Barra do Piraí, e para Belo
Horizonte (até 1980) até Joaquim Murtinho, estações onde tomavam os
respectivos ramais para essas cidades. Antes desta última, porém,
havia mudança de bitola, de 1m60 para métrica, na estação de Conselheiro
Lafayete. Na baixada fluminense andam até hoje os trens de subúrbio.
Entre Japeri e Barra Mansa havia o "Barrinha", até 1996, e finalmente,
entre Montes Claros e Monte Azul esses trens sobreviveram até 1996,
restos do antigo trem que ia para a Bahia. Em resumo, a linha inteira
ainda existe... para trens cargueiros. |
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A ESTAÇÃO: A estação
de São Julião foi inaugurada em 1887.
O nome posterior, Miguel Burnier, homenageia o eng. Miguel
Noel Nascentes Burnier, antigo diretor da ferrovia em 1884.
Fica no ponto mais alto da Linha do Centro. Junto a ela, em
1928, havia ali uma "instalação de altos fornos
para o preparo de ferro gusa", pertencente
à Sociedade Queiroz Júnior Lmtd.
Em 1928 Burnier era também o final da bitola larga da
EFCB. Os trilhos vinham desde Lafayette como bitola mista.
Nos anos 1940 e início dos 1950 voltou por algum tempo
a se chamar São Julião, revertendo depois novamente
para o nome anterior.
O local é hoje um distrito do município de Ouro Preto
e tem o mesmo nome da estação: Miguel Burnier.
Por ela passa a linha de bitola mista da EFCB e também sai
o ramal da Ponte Nova, que passa por Ouro Preto. Este
ramal hoje está abandonado, depois de ter passado à
administração da Leopoldina nos anos 1970.
Em 2007 começaram a existir tentativas locais de reforma e
reutilização do prédio da estação.
"Infelizmente tudo em Miguel Burnier cheira miséria. As casas
da Central, ricas, bem construídas e adornadas, são ocupadas por gente
que não tem onde cair morta. Sem manutenção, as casas vão aos
poucos definhando, lentamente desaparecendo, matando o passado ferroviário
que hoje se resume aos trens da MRS que sobem de Joaquim Murtinho
para o pátio Lafaiete Bandeira onde se faz o transbordo de bitola
do aço da Usiminas que vai para os Portos do Rio ou de Santos. O triângulo
de reversão já se foi, a Linha do Centro da bitola mista e métrica
até Sabará está abandonada pela FCA a partir da estação
(veja o túnel, tambem abandonado). A balança mecânica, tão incomum
porém presente no pátio de Burnier, está entregue à ação do
tempo, mantendo apenas os mecanismos, o restante já foi rapinado"
(Gutierrez L. Coelho, 28/9/2008). Porém, em 10/11/2012,
a estação foi entregue restaurada e como espaço
cultural.
(VEJA MAIS FOTOS DA ESTAÇÃO E DO PÁTIO FERROVIÁRIO)
VEJA
AQUI AS TENTATIVAS DE RECUPERAÇÃO DA ESTAÇÃO
Veja também: A história
de Miguel Burnier
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AO LADO: O cidadão
Miguel Burnier (Folha de S. Paulo, anos 1960).
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ACIMA: Duas velhas máquinas a vapor posam
no pátio de Miguel Burnier, anos 1940 ou 1950: a 383, uma Pacific
de bitola larga e quase idêntica à Zezé Leone, que foi restaurada
em Santos Dumont em 2009, e a 1423, que é uma Mikado de bitola métrica,
irmã gêmea da 1424 que está em Cruzeiro, também reformada.
Quanto à caixa d'água, ainda está lá (Acervo
Marcelo Lordeiro). ABAIXO: 50 ou 60 anos mais tarde, a linha de bitola
mista passa pela abandonada e depredada estação de Miguel
Burnier e segue para o abandono no sentido de Sabará (Foto
Gutierrez L. Coelho em 28 de setembro de 2008).

ACIMA: Pátio de Miguel Burnier em 1940 (Autor
desconhecido).
(Fontes: Alex de Lima; Leandro Menezes; J. H. Buzelin;
Marco Giffoni; Daniel Gentili; Marcelo Lordeiro; Manuel Monachesi;
Alberto del Bianco; Gutierrez L. Coelho; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras
de Comunicação, 1928) |
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A estação em 1908. Foto cedida por Marco Giffoni |

A estação, anos 1910. Acervo J. H. Buzelin |

A estação nos anos 1980. Foto Manuel Monachesi |
A estação de Miguel Burnier em 1990. Foto Alberto
del Bianco |
A estação de Miguel Burnier em 2008. Foto Gutierrez
L. Coelho |
A estação em 10/2011. Foto Leandro Menezes |

A estação em 2016. Foto Alex de Lima |
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| Atualização:
05.11.2016
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