A B C D E
F G H I JK
L M N O P
Q R S T U
VXY Mogiana em MG
Mapa
Itararé-Uruguai


De 1942 a 1950:
Paula Freitas
Porto União da Vitória
Eng. Eugênio de Mello
...
De 1950 até hoje:
Paula Freitas
Porto União da Vitória
Eng. Eug. de Mello-nova
...
Saída para a linha do São Francisco: Lança
...

IBGE - 1960
...

Itararé-Uruguai, PR- 1965
...
ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2008
...
 
Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (1942-1975)
RFFSA (1975-1996)
PORTO UNIÃO DA VITÓRIA
(antiga UNIÃO)
Municípios de União da Vitória, PR e Porto União, SC
linha Itararé-Uruguai - km 515,960 (1936)   SC-0510
Altitude: 516 m   Inauguração: 1942
Uso atual: Secretaria municipal da Cultura (União da Vitória) e Câmara de Vereadores (Porto União) (2004)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1942
 
 
HISTORICO DA LINHA: A linha Itararé-Uruguai, a linha-tronco da RVPSC, teve a sua construção iniciada em 1896 e o seu primeiro trecho aberto em 1900, entre Piraí do Sul e Rebouças, entroncando-se em Ponta Grossa com a E. F. Paraná. Em 1909 já se entroncava em Itararé, seu quilômetro zero, em São Paulo, com o ramal de Itararé, da Sorocabana. Ao sul, atingiu União da Vitória em 1905 e Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul, divisa com Santa Catarina, em 1910. Trens de passageiros, inclusive o famoso Trem Internacional São Paulo-Montevideo, este entre 1943 e 1954, passaram anos por sua linha. Os últimos trens de passageiros, já trens mistos, passaram na região de Ponta Grossa em 1983. Em 1994, o trecho Itararé-Jaguariaíva foi erradicado. Em 1995, o trecho Engenheiro Gutierrez-Porto União também o foi. O trecho Porto União-Marcelino Ramos somente é utilizado hoje eventualmente por trens turísticos de periodicidade irregular e trens de capina da ALL. O trecho Jaguariaíva-Eng. Gutierrez ainda tem movimento de cargueiros da ALL.
 
HISTÓRICO DA ESTAÇÃO: Para substituir as duas estações até então existentes nas cidades gêmeas de Porto União e de União da

em 15 de agosto de 1942, é inaugurado um conjunto de obras incluindo aí a estação de passageiros. Racionalizando espaço e tempo e respeitando a tradição de duas cidades juntas colonizadas, a Rede julgou por bem substituir as duas estações por dois corpos, iguais em área coberta e fisionomia arquitetônica, ligados de modo a formar uma grande abóbada em arco e por meio de uma galeria subterrânea reservada ao trânsito de pedestres. Para que não houvesse nenhum tipo de rancor por parte das duas cidades, a estação foi denominada de "União", a fim de manter os laços de amizade entre as cidades. O evento contou com a presença de grande número de autoridades, como o Interventor Federal, no Paraná, Manoel Ribas, e da comunidade em geral. Conforme a descrição precisa da pesquisadora Professora Terezinha Leony Wolff, na estação funcionou, do lado de Porto União, a Agência Postal Telegráfica a qual ocupava a parte térrea e superior ao lado sul da Estação. Uma escada interna estabelecia a ligação da Agência Postal com a sala do Telégrafo. No lado norte, dependências térreas funcionavam o restaurante da Estação, dirigido pelo Senhor Salustiano Costa e servido pelo senhor França. O andar superior servia aos escritórios do 3º Distrito de Obras e Cadastro. Do lado de União da Vitória, na ala norte, ficavam os serviços de transmissão da Rede (telégrafo morse, telefone seletivo e rádio, PSF4). Na parte de baixo, a Agência da Estação. No lado sul, andar superior, o Departamento de Pessoal e no térreo, o Setor Comercial da Rede. Algo que marcou na memória foi o movimento de pessoas nas bilheterias, nos saguões e nas plataformas. Passageiros recostados nos bancos, cochilando, enquanto aguardavam os trens, nem sempre no horário previsto. Em ambos os lados da Estação, conjugados, quatro armazéns para carga e descarga de mercadorias. Alguns carregamentos, como de trigo e madeira, efetuavam-se nos depósitos das próprias firmas e o de animais, no Embarcadouro, em vagões para cujos acessos foram construídos ramais ferroviários específicos. Na inauguração da Estação de União foram incluídos também as três casas residenciais destinadas aos engenheiros da Via Permanente e Locomoção e ao Agente da Estação (na Visconde de Nácar); a balança de Vagões, as Oficinas da 5ª Residência e Depósito, o Escritório da Locomoção e o Depósito das máquinas (hoje depósitos de Grãos), a Cabide Telefônica (onde ficava o guarda chaves), todos construídos ao longo da linha, paralelos à Avenida (hoje Getúlio Vargas); a Vila Ferroviária, formada por sete grupos de casas quádruplas nas Estrada de Rodagem para o Rio da Areia, hoje Mal. Deodoro. Para abastecer de água o pátio e outros serviços da Estação foi construída uma caixa de concreto, no alto onde posteriormente foi construído o Estádio do Ferroviário (Texto: Profa. Terezinha Leony Wolff).

Vitória, cada uma em um Estado, a estação de União foi inauguradaem 1942 com um novo pátio ferroviário que atendia aos dois lados da linha. As duas fachadas do prédio da estação eram iguais e cada entrada tinha o nome de cada cidade. O trem pararia, a partir de agora, somente num ponto, em vez de parar nas duas estações anteriores, uma de cada cidade, distantes uma da outra apenas 100 metros pela linha. O nome da estação foi, alguns anos mais tarde, alterado para Porto União da Vitória. Os dois nomes atendiam aos anseios das duas cidades. Essa estação é a que está ali até hoje. As duas cidades eram o segundo ou terceiro faturamento da RVPSC pelo menos até o início dos anos 1970. A partir daí, entretanto, com a construção do tronco principal Sul por Rio Negro, levando a Lajes e daí ao sul, a velha "linha do Contestado" foi perdendo em importância até ser abandonada totalmente em 1997. O trecho entre Engenheiro Gutierrez, em Irati, e a ponte ferroviária sobre o Iguaçu, já na divisa dos estados, foi fechado e erradicado, fechando-se todas as estações intermediárias. Esse trecho foi o que mais sofreu, pois era acidentado, retardando o tráfego ferroviário, e as cargas foram quase que totalmente passadas para a nova variante citada acima já no início dos anos 1970; trens de passageiros ainda seguiram por ele até fins dos anos 1970, foram eliminados e, com a enchente de 1983, voltaram a circular, sendo eles os únicos meios de acesso às cidades do trecho e também a União da Vitória e a Porto União por mais de uma semana. Depois, esses trens desapareceram de vez. Embora a ponte sobre o Iguaçu tenha sido concretada e tenha também perdido seus trilhos, estes começam hoje junto a ela e chegam à estação, apenas alguns metros à frfente. Uma linha somente sobrou, justamente a da divisa, a segunda e a terceira linha foram retiradas. Hoje a divisa estadual passa por dentro da

ACIMA: Vista da cidade de Porto União, a antiga ponte - hoje ela é diferente - sobre o rio Iguaçu, construída em 1906 (Autor desconhecido).

TRENS - De acordo com os guias de horários e fontes diversas, trens de passageiros pararam nesta estação de 1942 a 1983. Veja aqui horários em 1948 (Guias Levi). Na foto à esquerda, o trem de passageiros está parado (possivelmente anos 1930) na estação de Roxo Roiz.

ACIMA: A nova estação, que se chamaria União e depois Porto União da Vitória, começa a ser construída. O ano é provavelmente 1938. Em primeiro plano, as fundações da estação nova. Ao fundo, do lado direito da linha (Santa Catarina), a estação de Porto União. Mais ainda ao fundo, com o dístico em destaque, a estação de União da Vitória, do lado esquerdo da linha, lado do Paraná. Esta foto mostra que, ao contrário do que se afirma, a estação nova não ficou a meio caminho das duas antigas, mas sim, mais à frente na linha, sentido sul (Foto acervo Irene Rucinsky). ABAIXO: A notícia sobre a inauguração da nova estação em 1942 - CLIQUE SOBRE A IMAGEM PARA VE-LA NA INTEGRA; CLIQUE AQUI PARA VER A 2a PARTE DA NOTICIA (Correio do Paraná, 17/8/1942).
ACIMA: Novas instalações ferroviárias em Porto União e em União da Vitória inaugurados em 1942. À esquerda, o rio Iguaçu com a ponte; no novo largo, a estação e, em verde, as casas ferroviárias. Mais à direita, o pátio de manobras e as oficinas, e, na extrema direita, o novo triângulo. Entre a ponte e a nova estação, ficavam as duas estações anteriores, demolidas então. Os desvios junto à estação foram suprimidos mais tarde (Relatório da RVPSC de 1942). ABAIXO: Cerca de 15 anos mais tarde (c. 1957), belíssima foto tomada de União da Vitória, sentido Porto União, nos centros da duas cidades, vemos a locomotiva a vapor da RVPSC cruzando, sentido estação, uma das ruas numa passagem de nível que divide as duas cidades e os dois Estados (Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1958).
ABAIXO: Vista da estação, tomada do lado de Porto União, em 1982. O pátio ainda tinha movimento razoável, mas já decadente, desde a abertura do Tronco Sul, em 1969. Mesmo assim, ainda mantinha diversos desvios(a linha principal, a que passa no centro da gare) era a divisora dos dois Estados. Diversas composições estavam na gare e no pátio. Em segundo plano e do outro lado da linha, o Estado do Paraná. Ao fundo, o rio Iguaçu. Em primeiro plano, uma rua em Porto União, no Estado de Santa Catarina (Foto Paulo Sérgio Zageski ).

gare de uma estação abandonada até 2002, quando reformas foram feitas e ela foi reinaugurada, não sem problemas, pois pode-se imaginar a burocracia de ter um prédio que é dividido ao meio entre dois Estados. Depois da gare, a linha segue por alguns quarteirões, passa por um pátio de manobras ainda com seus trilhos e depois se divide em três: a linha principal que vai para Matos Costa e Caçador, a linha que segue para Mafra e São Francisco e a linha

ACIMA: Vista aérea da cidade, talvez anos 1950. A estação está ao centro da foto; União da Vitoria, PR, fica para a direita da linha; Porto Uniã, SC, para a esquerda (IBGE).
antiga, desativada em 1950 com a construção da variante da serra de São João, entre Porto União e Matos Costa, linha esta que depois de desativada ainda serviu nos seus primeiros quilômetros como desvio particular e depois foi quase totalmente retirada, exceto em alguns metros iniciais, que ainda se vê após o pátio. Essa linha, embora arrancada mais à frente, é a divisa dos Estados... a linha atual, da variante, está toda dentro de Santa Catarina e tem seis túneis, passando por várias cachoeiras muito bonitas. Depois de sete anos sem qualquer uso, voltou a ser utilizada por alguns trens turísticos que seguiam até a saída do segundo túnel, após Eugênio de Melo, durante o mês de setembro de 2003. (Veja também PORTO UNIÃO e UNIÃO DA VITÓRIA)
(Fontes: Altamiro Lisboa; Roberto Domit de Oliveira; Rodrigo Cunha; Nilson Rodrigues; Terezinha Wolff; Irene Rucinski; Paulo Szabadi; Correio do Paraná, 1942; IHGE Paranaense: Boletim, 1976; IBGE; Guias Levi, 1932-80; RVPSC: relatórios, 1936 e 1942)
     

A nova estação, recém-inaugurada em 1942. Foto dos relatórios da RVPSC

A nova estação, recém-inaugurada em 1942. Foto dos relatórios da RVPSC

A nova estação, à noite, recém-inaugurada em 1942. Foto dos relatórios da RVPSC

Casas da vila ferroviária, em 11/2000. Foto Rodrigo Cunha

Placa da estação, lado paranaense, em 11/2000. Foto Rodrigo Cunha

Uma das fachadas da estação em 11/2000. Foto Rodrigo Cunha

O depósito de locomotivas de Porto União, em 11/2000. Foto Rodrigo Cunha

Casinha junto à estação de Porto União, em 11/2000. Foto Rodrigo Cunha

A estação em 2002. Foto Paulo R. Szabadi

A estação em 2002. Foto Paulo R. Szabadi.

A estação vista do lado da cidade. À direita, Santa Catarina. Foto Alexandre L. Giesbrecht, em 13/09/2003

A estação vista do lado da ponte. À direita, Paraná. Foto Alexandre L. Giesbrecht, em 13/09/2003

Os bons tempos voltaram em Porto União da Vitória. Locomotiva La Meuse partindo para Eng. Eugenio de Mello, em passeio turístico em 12/09/2003. Foto Ralph M. Giesbrecht

A estação em 2011. Para a esquerda, Porto União, SC; para a direita, União da Vitoria, PR. Foto Nilson Rodrigues
 
     
Atualização: 14.06.2014
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.