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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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Hipódromo
São Carlos
Retiro
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Saída para o ramal de Água Vermelha:
Babilônia
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Saída para o ramal de Ribeirão Bonito:
Angico
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Tronco CP-1935
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2010
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Cia. Rio-Clarense (1884-1889)
SRio Claro Railway (1889-1892)
Cia. Paulista de Estradas de Ferro (1892-1971)
FEPASA (1971-1998)
SÃO CARLOS
Município de São Carlos, SP (veja a cidade)
Linha-tronco - km 206,308 (1958)   SP-1208
Altitude: 825 m   Inauguração: 15.10.1884
Uso atual: museu e arquivo público (2015)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: c.1912 (reforma do antigo)
 
 
HISTORICO DA LINHA: A linha-tronco da Cia. Paulista foi aberta com seu primeiro trecho, Jundiaí-Campinas, em 1872. A partir daí, foi prolongada até Rio Claro, em 1876, e depois continuou com a aquisição da E. F. Rio-Clarense, em 1892. Prosseguiu por sua linha, depois de expandi-la para bitola larga, até São Carlos (1916) e Rincão (1928). Com a compra da seção leste da São Paulo-Goiaz (1927), expandiu a bitola larga por suas linhas, atravessando o rio Mogi-Guaçu até Passagem, e cruzando-o de volta até Bebedouro (1929), chegando finalmente a Colômbia, no rio Grande (1930), onde estacionou. Em 1971, a FEPASA passou a controlar a linha. Trens de passageiros trafegaram pela linha até março de 2001, nos últimos anos apenas no trecho Campinas-Araraquara.
 

A ESTAÇÃO: A estação de São Carlos foi uma das estações que inaugurou a linha da Rio-Clarense, em 1884.

Com a compra desta ferrovia pelos ingleses em 1889, ficou determinado que dali sairiam dois ramais, um em direção a Água Vermelha, ao norte, e outro, em direção a Ribeirão Bonito, a oeste. Estes ramais foram completados e entregues já pela Paulista, que comprou a linha em 1892. Eles foram abertos em 1893 e 1895, respectivamente, e foram desativados em 1962 e 1969.

A Rioclarense foi criada e operada de 1882 a 1889, quando foi vendida, pela famíia Arruda Botelho, donos da Fazenda do Pinhal, que era a mesma fazenda que originou em 1857 a cidade de São Carlos.

Por volta de 1912, o velho prédio da Rioclarense foi totalmente reformado, tomando já as feições do atual, imponente, uma das maiores estações da Paulista. Algumas reformas também o alteraram mais tarde, com a substituição das janelas de madeira por de metal e algumas ampliações.

Em 1916, chegou a bitola larga de 1,60m, que conviveu, até 1922, com uma linha paralela a ela, métrica, última herança da Rioclarense.

"Há exatamente 25 anos eu não pisava no sagrado solo da estação de São Carlos. Ainda ontem ouvi minha tia contar da sua sensação ao mudar para a cidade, de como ela ficou espantada com o movimento de bondes, carros e carroças ao sair da estação com a família, em 23 de agosto de 1943, chegando de Dobrada. Fui fazer uma palestra e aproveitei pra levar os velhos e fazer uma visita à parentada. Mas usei parte da manhã para visitar a linha. A estação está bem conservada, virou museu municipal. Obviamente fiz um belo passeio. Mas o pátio é uma tristeza só, mato, mato, mato e vagões velhos, a eletrificação destruída, as torres de iluminação sem qualquer holofote. De noite deve ser um
breu danado. Estava eu justo no ponto onde embarcávamos nos carros pullman nos trens para SP, na extremidade sul da estação, quando ouvi de repente um apito ao longe. Velhos circuitos neuronais se ativaram em minha mente, o coração disparou: será que é o velho trem R puxado por uma V8? Mas não, o delírio sebastianista não durou um segundo, não houve clarão no céu, a terra não tremeu, não soou nenhuma trilha sonora com corais à la Cecil B. de Mille em tom apoteótico de revelação... Era um mero sojeiro tracionado por duas Dash-9 e uma C30-7 na cauda. Mas fotografei as Dash-9 assim mesmo - afinal, dentro em pouco elas não mais circularão em SP e serão mais uma saudade das ferrovias paulistas. Depois dessa, fui para minha palestra ouvindo Maggie's Farm com o volume à toda" (A. A. Gorni, 06/2003). Gorni conta também sobre a estação de rádio que existia no pátio da Cia. Paulista: "Aliás, por que será que fizeram aquela casa isolada para abrigar a estação de rádio em São Carlos? O prédio da estação era bem espaçoso e poderia abrigar o operador de rádio, ao invés depara isolá-lo do outro lado do pátio. Nos áureos tempos devia ser difícil chegar até a estação devido às constantes manobras no pátio. Meu avô contava que pontualmente, às nove horas da manhã, o operador de rádio recebia o sinal da hora oficial brasileira. Ele então acenava para o maquinista da locomotiva mais próxima, que apitava longamente, avisando a população para acertar seus relógios. Hoje... o operador ia ter de correr pra achar alguma locomotiva. Bom, com sorte, ia achar alguma encalhada. Essas ferrovias brasileiras são de uma tristeza sem fim" (Antonio Gorni, 11/2006).

"Pude testemunhar como era movimentada e bem cuidada a estação de São Carlos há trinta e poucos anos atrás! Nas paredes internas da estação, junto à plataforma, existiam fotos das locomotivas famosas da Companhia Paulista. Me lembro da foto de uma locomotiva 'Vanderléia'. No ano passado voltei e dei um passeio até lá, já naquela consternação. Nada dos retratos da 'Vanderléia" (Edmilson Cinquini, 02/2008).

A estação tinha diversos desvios na época da Paulista: "Na foto do desvio Giongo, acima, aparece uma locomotiva diesel-elétrica alemã LEW, incorporada à frota da CP em, no mínimo, 1967. Deve ter sido tirada por volta de 1968. Essas devem ter sido uma das últimas fotos desse desvio, já que em 1976 ele já não funcionava. Aliás, para ser mais exato, pude observar nesse ano que boa parte do desvio ainda estava lá, só o AMV que o conectava com a antiga linha da CP já tinha sido removido. Outro desvio muito interessante de São Carlos, mas muito pouco (na verdade, quase nada) documentado é o desvio da Serraria Santa Rosa. Ele saía da linha da CP a algumas centenas de metros depois da estação, rumo a Araraquara, e era um pouco mais longo que o da Giongo (esta ficava vizinha à estação, ao contrário da Serraria Santa Rosa, um pouco mais distante). Em 1976 o traçado do desvio da Santa Rosa até a linha da CP (então Fepasa) ainda estava livre e cheio de mato, mas os trilhos tinham sido totalmente removidos, ao contrário do que tinha ocorrido com o da Giongo. Em 2005 documentei o local onde passava esse desvio; ele havia sido ocupado por quintais, garagens e edículas de casas vizinhas" (Antonio Gorni, 20/11/2010).

O último trem de passageiros passou por ali em 16/03/2001, vindo de São José do Rio Preto.

Em 2015, na estação funcionavam um museu da Revolução de 1932 e o arquivo público municipal. CLIQUE AQUI PARA VISUALIZAR A ESTAÇÃO VISTA DO SATELITE (gentileza Antonio Carlos Mussio)

ACIMA: A locomotiva silva na estação e dá a hora certa em 1912. ABAIXO: No mesmo dia, a serraria Santa Rosa recebe autorização para construir seu desvio das linhas da Paulista às suas instalações (O Estado de S. Paulo, 6/7/1912).

"Meu avô contava que, durante a época da Segunda Guerra Mundial, era complicado atravessar a ferrovia nessa cidade, pois havia muito movimento ferroviário. Os vagões durante as inúmeras manobras muitas vezes acabavam obstruindo a passagem de nível e ficavam lá por um bom tempo (não tinha essa de mandado na justiça ordenando que o trem parasse nas passagens de nível, como hoje...). Os pedestres mais afoitos cruzavam a ferrovia passando por baixo (ou por cima) dos engates, o que era bastante arriscado - quem garantia que a composição não iria se movimentar de repente?" (Antonio Gorni, 14/1/2009). E os relógios da estação? Segundo Marcelo Falcão de Oliveira, professor da USP, existem dois relógios na estação de São Carlos: o da fachada (da marca Dent de Londres) e o da plataforma, produzido no Brasil pela fábrica de relógios Michelini, de São Paulo. Ele afirma que o da fachada deve ter sido instalado entre 1908 e 1912 e tem quase certeza de que o da plataforma foi instalado antes de 1922, pois desde 1909 a fábrica já funcionava, mas ele deve ter sido colocado depois disso.























AO LADO: Notícia da inauguração da bitola larga em São Carlos (O Estado de S. Paulo, 1/6/1916).

ACIMA: Fotografia aérea de São Carlos, provavelmente anos 1960, e no máximo. As linhas dos ramais da métrica ainda estão ali, como mostra o esquema. A estação está à direita, com o telhado comprido. O ramal de Água Vermelha está para a direita, fora da foto, infelizmente (Autor desconhecido; esquema desenhado por Marco Antonio Pau).

ACIMA: SaÍam dois ramais da gare de S Carlos, um para a direita (Ribeirão Bonito), que cruzava toda a esplanada, como mostra a foto e do outro lado da gare saía o ramal de Água Vermelha, que e não atravessava a esplanada e é onde hoje a ABPF planeja colocar a locomotiva a vapor número 7 para rodar (CLIQUE SOBRE A FOTO PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR) (Foto, esquema e texto: Alberto del Bianco, 18/11/2010). ABAIXO: Locomotiva da Cia. Paulista no desvio dentro das instalações da Serraria Giongo, próxima ao pátio da estação de São Carlos, por volta de 1968 (CLIQUE SOBRE A FOTO PARA VER MAIS FOTOS DESTE DESVIO) (Foto Arte Alemão, acervo Alberto del Bianco)


ACIMA: Na estação de São Carlos, a plataforma da bitola métrica (ramais de Ribeirão Bonito e de Água Vermelha), à esquerda, com uma passagem em madeira sobre a canaleta da linha para se poder passar e embarcar na plataforma da linha da bitola larga, à direita. A foto deve ser dos anos 1950. Hoje, essa canaleta da métrica está tapada com pedras e já faz tempo (Autor desconhecido). ABAIXO: Em foto dos anos 1940 ou 1950, composição chegando do ramal da Água Vermelha na plataforma de São Carlos (Autor desconhecido).


ACIMA: Em frente à estação, a parada do bonde (Foto Sergio Luiz Chinaglia, data desconhecida) ABAIXO: Pátio de São Carlos, anos 1970 (IBGE). .

ACIMA e AO LADO: Armazém de São Carlos em 2015, com a locomotiva do ramal de Ribeirão Bonito, ex-E. F. Dourado, enferrujando à sua frente. Dentro do armazém, locais reservados a ferrovias já extintas: E. F. Araraquara (em 1971) e E. F. de Pitangueiras (em 1912!) (Fotos: Marina Fotomania).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Renato Gigliotti; Sergio Luiz Chinaglia; José Fernando Pepino; Marcelo Falcão de Oliveira; Silvio Rizzo; Marco Antonio Pau; Antonio A. Gorni; Filemon Peres; acervo Maria Angela P. C. S. Bortolucci; Arte Alemão; Mateus Rosada; Alberto Del Bianco; Wilson da Silva Jr.; Hermes Y. Hinuy; Antonio Carlos Mussio; Marina Fotomania; IBGE; O Estado de S. Paulo, 1912 e 1916; Cia. Paulista: Relatórios anuais, 1890-1969; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação de São Carlos da Rio-Clarense, c. 1900. Foto cedida por Mateus Rosada, acervo de Maria Angela P. C. S. Bortolucci

A estação em 1918, já reformada. Foto Filemon Peres

A estação de São Carlos em 1930. Foto cedida por Mateus Rosada, do acervo de Maria Angela P. C. S. Bortolucci

Nas duas plataformas, o trem da linha-tronco e o que seguiria pelo ramal de Ribeirão Bonito, prov. anos 50. Foto cedida por Alberto Del Bianco

Em 24/10/1997, a estação de São Carlos. Foto Ralph M. Giesbrecht

Plataforma da estação, março de 2001. Foto Wilson da Silva Jr.

A estação em 10/04/2001. Foto Hermes Y. Hinuy

Plataforma da estação em 10/04/2001. Foto Hermes Y. Hinuy

Fachada da estação em 16/3/2012. Foto Renato Gigliotti
     
Atualização: 13.09.2016
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.