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VXY Mogiana em MG
...
(1888-1952)
Imbaúba
Vitoriana
Itatan
...
Saída para o ramal de Porto Martins e Araquá (1888-1952):
Treze de Maio
...
No ramal de Porto Martins e Araquá (1952-1954):
Itatan
Vitoriana
Treze de Maio
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Tronco EFS - 1935

IBGE-1954
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 1998
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E. F. Sorocabana (1888-1892)
Cia. União Sorocabana e Ytuana (1892-1907)
Sorocabana Railway (1907-1919)
E. F. Sorocabana (1919-1954)
VITORIANA (antiga VICTORIA)
Município de Botucatu, SP
Linha-tronco original - km 290,820 (1924); km 279,050 (1931) (*)   SP-2591
Altitude: 526 m   Inauguração: 20.06.1888
Uso atual: escola (2013)   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1911
(*) As quilometragens foram alteradas em 1928, devido às retificações feitas entre São Paulo e Iperó neste ano.
 
 
HISTORICO DA LINHA: A E. F. Sorocabana foi fundada em 1872, e o primeiro trecho da linha foi aberto em 1875, até Sorocaba. A linha-tronco se expandiu até 1922, quando atingiu Presidente Epitácio, nas margens do rio Paraná. Antes, porém, a EFS construiu vários ramais, e passou por trocas de donos e fusões: em 1892, foi fundida pelo Governo com a Ytuana, na época à beira da falência. Em 1903, o Governo Federal assumiu a ferrovia, vendida para o Governo paulista em 1905. Este a arrendou em 1907 para o grupo de Percival Farquhar, desaparecendo a Ytuana de vez, com suas linhas incorporadas pela EFS. Em 1919, o Governo paulista voltou a ser o dono, por causa da situação precária do grupo detentor. Assim foi até 1971, quando a EFS foi uma das ferrovias que formaram a estatal FEPASA. O seu trecho inicial, primeiro até Mairinque, depois somente até Amador Bueno, desde os anos 20 passaram a atender principalmente os trens de subúrbio. Com o surgimento da CPTM, em 1994, esse trecho passou a ser administrado por ela. Trens de passageiros de longo percurso trafegaram pela linha-tronco até 16/1/1999, quando foram suprimidos pela concessionária Ferroban, sucessora da Fepasa. A linha está ativa até hoje, para trens de carga.
 
A ESTAÇÃO: A estação foi inaugurada em 1888 como ponta de linha, com o nome de Victoria. "...o serviço ficou bastantemente adiantado a ponto de permittir que no corrente anno fossem inauguradas as estações de Piramboia, Alambary e Victoria. Esta ultima estação fica na Raiz da Serra de Botucatú, no lugar denominado Antonio Monteiro, e é a mais importante da nossa linha, distando de S. Paulo 293 km". O relato mostra a importância que a Sorocabana, no seu relatório para o ano de 1888, dava a esta estação, situada pouco antes da cidade de Botucatu, que, até então, ainda não havia sido alcançada pela ferrovia. O prédio da estação ficou pronta em 6 de junho, e foi inaugurada quatorze dias depois, em 20 de junho desse ano. A partir de 01/06/1893, a estação passou a ser também ponto de saída para o ramal de Porto Martins, com a ligação da linha-tronco com o então novo ramal de São Manuel, construído pela Ituana e incorporado mais tarde pela Sorocabana.

Em 1911, foi construído um novo prédio para a estação.

Durante a perseguição feita aos revoltosos de 1924, após a fuga da Capital no final de jluho de 1924, a estação de Victoria serviu como um dos acampamentos das tropas governistas (mapa ao lado): no caso, o Batalhão do 13o Regimento de Infantaria. Em 1945, por determinação do CNG, Vitória passou a Vitoriana, e permanece até hoje como sede de um distrito do município de
Botucatu.

Em 1952, com a abertura da
variante Juquiratiba- Botucatu, todo o trecho antigo entre Juquiratiba e Vitoriana foi suprimido, enquanto o trecho entre Botucatu e Vitoriana continuou ativo, agora parte inicial do ramal de Porto Martins. Durou pouco, porém, este ramal: em 1954, com a desativação da navegação fluvial da Sorocabana nos rios Tietê e Piracicaba, a estação de Vitoriana e as outras foram definitivamente fechadas.

Em 1956, um vereador de Botucatu pediu que fosse aberta uma agência do serviço rodoviário da EFS e quem se fossem feitos reparos na estrada que ligava a sede do município até Vitoriana; prova de que, ao contrário das promessas, dois anos depois do acesso por ferrovia ao pequeno bairro ter sido extinto, a via por terra ainda era um lixo e o transporte da carga lá existente era deficiente (O Estado de S. Paulo, 26/2/1956) - precisavam da Sorocabana para fazê-lo. Não sei, efetivamente, quanto tempo durou para ser atendido o pedido e se a agência foi instalada.

O prédio da ex-estação sobrevive até hoje, transformado em escola pública, porém bastante desfigurado, parecendo que apenas as torres laterais são originais. A tipologia do prédio é a mesma das estações de Itararé, Angatuba, Luiz Pinto, Bom Jardim, Indaiatuba e Piapara, todas construídas na mesma época, entre 1911 e 1913. CLIQUE AQUI PARA VER AS LINHAS VELHA E NOVA DA SOROCABANA NESTA REGIÃO

OBRAS OCORRIDAS NA ESTAÇÃO E SEU PÁTIO DE ACORDO COM RELATÓRIOS DA EFS: 1934 - Construção de desvio de segurança; instalação de luz; construção de uma casa; construção de casa para o encarregado dos truqueiros; pintura da casa de turma

AO LADO: Nossa Estrada, 1953 - cortesia Adriano Martins.

O nome "Victoria", assim como os da linha original da Ituana entre Porto Martins e São Manuel, teria sido dado como referência à rixa entre a ferrovia e à Sorocabana, resolvida somente quando da encampação da primeira pela segunda em 1892: "Igualdade", "Treze de Maio" e "Redempção". Infelizmente, a mudança para Vitoriana em 1945 apagou de vez a tênue memória da origem da denominação.

ACIMA: Mapa mostrando a linha nova e a velha da Sorocabana na região de Botucatu e de Avaré. Por ele dá para se ter uma idéia de como Vitoriana e outras saíram da linha e ficaram isoladas. A linha nova (estilizada, pois não mostra todas suas curvas) é a que está com barras (Acervo Ralph M. Giesbrecht).












AO LADO: Mapa de posicionamento de tropas na perseguição aos revoltosos que deixaram São Paulo via Sorocabana no final de julho de 1924 (Ayres de Camargo: Patriotas Paulistas na Coluna Sul, Livraria Liberdade, 1925).

ACIMA: Em 1948, um descarrilamento com o trem de passageiros entre as estações de Oiti e Imbaúba acabou por se repetir logo depois em Vitoriana: um verdadeiro desespero e muitos feridos (Folha da Manhã, 21/7/48). ABAIXO: Outro acidente em Vitoria, em 1929 - CLIQUE SOBRE A FIGURA - (O Estado de S. Paulo, 5/1/1929).


ACIMA: Novo horário em 1952 para se atingir Vitoriana, Porto Martins e estações intermediárias do ramal, com a extinção do trecho Juquiratiba-Botucatu de 1888. Durou dois anos apenas e acabou (O Estado de S. Paulo, 12/9/1952). ABAIXO (esquerda): a linha velha ainda tem algum trânsito ferroviário mesmo depois da abertura da linha nova (O Estado de S. Paulo, 15/11/1951). (direita): Já abandonado, a prefeitura de Botucatu diz que vai fazer uma rodovia no lugar dos trilhos. Nunca fez (O Estado de S. Paulo, 23/10/1952).

(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Mario Favareto; Daniel Gentili; Antonio Fernando Pereira; Adriano Martins; Folha da Manhã, 1948; O Estado de S. Paulo, 1929, 1951, 1952, 1956; Ayres de Camargo: Patriotas Paulistas na Coluna Sul, Livraria Liberdade, 1925; Nossa Estrada, 1953; E. F. Sorocabana: relatórios anuais, 1875-1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A antiga estação de Vitoriana, em 18/07/1998. Foto Ralph M. Giesbrecht

Tudo continua igual, quatro anos depois, em 28/04/2002. Foto Adriano Martins

Com outra cor, a ex-estação em foto tirada de outro ângulo por Adriano Martins, em 10/10/2009.

A estação em 19/2/2011. Foto Daniel Gentili

A ex-estação muda de cor a cada pintura. Foto Mario Favareto em 26/2/2015
 
     
Atualização: 02.08.2016
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.